Resumo

A síndrome dolorosa do trocanter maior (SDTM) é uma disfuncionalidade que compromete a articulação do quadril e é um problema que traz muitos desconfortos, comprometendo a qualidade de vida. Assim, uma das formas para a reeducação do movimento dos pacientes com SDTM é a estimulação elétrica transcraniana com corrente contínua (Transcranial Direct-Current Stimulation - tDCS), um método não invasivo de estimulação cerebral no qual uma corrente elétrica facilita a despolitização de zonas específicas do córtex, visando controle álgico. OBJETIVO: Este estudo buscou relacionar a neuroestimulação elétrica combinada à exercícios físicos de baixa intensidade como possível intervenção. METODOLOGIA: Tratou-se de uma análise preliminar de um protocolo duplo cego randomizado. Utilizou-se o teste SF-36 para avaliar qualidade de vida e realizou-se o exame físico — contagem  de dor trocantérica após permanecer 30 segundos em apoio unipodal e dor à palpação da inserção do glúteo médio no trocânter maior. Os participantes foram randomizados para: 1) receber tDCS associado simultaneamente ao treinamento com exercício resistido assistido de baixo volume e intensidade, voltado à musculatura do quadril e da coxa, durante 4 dias consecutivos (grupo intervenção, GI) ou 2) receber tDCS-sham associado ao mesmo treinamento físico (grupo controle, GC). Os grupos receberam a terapia padrão e apenas o GI recebeu o adicional da tDCS, permitindo avaliar, independentemente, seu efeito. Os testes para normalidade foram o  Shapiro-Wilk; para  as variáveis — teste t de Student e para distribuição não normal — teste de Mann-Whitney. Para análise dos dados, usou-se o software SPSS 25. Foi adotado p<0,05. RESULTADOS: Observou-se que para o teste SF-36 houve diferença estatisticamente significativa para os parâmetros “Capacidade Funcional” (p= 0,042), “Limitação de aspectos físicos” (p=0,044) e “Dor” (p=0,045). Nos demais parâmetros não houve diferença significativa de 5%. Na avaliação do Exame Físico foi avaliada melhora significativa nos parâmetros ao comparar pré-teste e pós-teste imediato dos participantes. A avaliação da dor pela escala visual analógica do lado direito (p=0,004) e esquerdo (p=0,007) apresentou variação de 8 para 5. Os participantes demoraram mais para indicar o início da dor em apoio unipodálico direito (p=0,002) e esquerdo (p=0,001), assim como o tempo em apoio unipodal máximo direito (p=0,003) e esquerdo (p=0,009) aumentou. DISCUSSÃO: Este é um ensaio clínico, controlado, randomizado e  duplo-cego, ainda em fase de estimulação e treinamento dos participantes, assim, os dados ainda não apresentam a relação entre os grupos. Contudo, os resultados demonstram o efeito do exercício físico, somado a outras variantes, como interação social e cuidado, capazes de alterar a qualidade de vida. Levanta-se a possibilidade de que a melhora no exame físico se deve ao fato de que os participantes, em grande maioria, não praticavam exercícios físicos. O sedentarismo é esperado, pois a seleção dos participantes teve como critérios de inclusão testes que demonstram dor trocantérica moderada – capaz de afetar a vida cotidiana –, portanto com dor limitante e receio de realizar atividades que podem desencadear maior sofrimento, como os exercícios físicos.

 

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