Resumo

O exercício de alta intensidade influencia significativamente a fisiologia renal; no entanto, os efeitos de protocolos extremos de fitness, como o Murph, permanecem pouco explorados. Este estudo avaliou o impacto do protocolo Murph sobre biomarcadores de função renal em dez homens fisicamente ativos. Os participantes realizaram uma única sessão do protocolo, com coleta de amostras de sangue e urina nos momentos basal, imediatamente após o exercício e 24 h após o exercício. Foram analisados os níveis séricos de cortisol, lactato, creatinina e testosterona, bem como creatinina urinária e microalbuminúria. A taxa de filtração glomerular estimada (TFGe) foi calculada utilizando a equação de Cockcroft– Gault. Imediatamente após o exercício, a TFGe apresentou redução significativa de 51,3%, diminuindo de 109,30 ± 19,95 para 53,22 ± 6,34 mL/min/1,73 m² (diferença média: −56,11; IC 95%: −75,83 a −36,39; p < .0001). Após 24 h, a TFGe permaneceu significativamente inferior aos valores basais (−25,5%), atingindo 81,44 ± 16,49 mL/min/1,73 m² (diferença média: −27,89; IC 95%: −46,11 a −9,66; p = .0052). A creatinina urinária não apresentou alterações imediatamente após o exercício (p > .05), porém aumentou significativamente após 24 h em comparação ao basal (112,70 ± 48,77 vs. 170,00 ± 51,20 mg/dL; diferença média: 57,28; IC 95%: 8,62 a 105,90). Não foram observadas alterações significativas na microalbuminúria (diferença média: −2,02; IC 95%: −3,64 a 7,69). Esses achados indicam que o protocolo Murph induz uma redução aguda da filtração renal, parcialmente persistente após 24 h, associada ao aumento de metabólitos nitrogenados, sugerindo um estresse renal substancial, porém transitório.

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