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Introdução: A prática da vela é uma atividade náutica que exerce ação por meio de três comandos propulsão, direção e equilíbrio. A prática da vela está associada ao risco real e imaginário, assim em um contexto sociocultural à luz das práticas corporais na natureza, apresenta contradições e conciliações entre os meios racionais e não-racionais. Diante deste cenário, nas sociedades tradicionais, quando expostas ao risco, adotavam o uso de ritos para preparação às ameaças procedentes da natureza. Os ritos são expressões culturais, que envolve preparativos para uma situação, objetivando garantir alguma segurança em relação às forças naturais, um controle além do que as técnicas racionais podem oferecer. É neste sentido sociocultural, diante dos ritos e dos riscos que se percebe a necessidade de estudos à luz da prática da vela, pois mesmo com os apetrechos tecnológicos, os quais minimizam os riscos sejam humanos ou naturais, a prática da vela apresenta ritos que relacionam ao controle das forças da natureza.

 Objetivo: compreender os significados dos ritos que se encontram em dimensão simbólica da prática da vela. Metodologia: Trata-se de um estudo fundamentado na semiótica, pelo sistema de significação, por meio da tríade peirceana: signo, objeto e interpretante. Como cenário utilizou-se a Praia do Seixas em João Pessoa/PB, propícia a prática da vela devido as suas condições meteorológicas e geográficas, formando organizações de habitus social, entendendo este como incorporação a estruturas imanente de um mundo.

 Resultados: Apresentam-se três fases: a primeira terrestre, envolvendo a checagem de todas as partes do barco e material a ser utilizado, as experiências sensoriais, as condições que o mar oferece, o sentindo da direção do vento, empregando a interpretação do movimento de coqueiros para identificar a força do vento, utilizando gestos presentes nos ritos que conduzem o velejador ao mar; a segunda fase, esta aquática, que integra o ritual de passagem do elemento terra para a água, deslocando para o desconhecido, em que os riscos precisam ser gerenciados a todo momento, seguido por movimento que dão equilíbrio ao barco por meio do vento e do mar; e a terceira fase, estabelece uma relação do novo, ao voltar à terra, envolvendo percepções do corpo e da natureza. Os ritos na prática da vela se integram as questões naturais, em que o homem se percebe enquanto elemento da natureza.

 Conclusão: Relacionar os signos aos ritos e riscos propõe uma reflexão no qual se julga oportuno que o rito constitui, de fato, elementos indissociáveis e complementares a prática da vela, meios indispensáveis à compreensão dos riscos e as suas relações com os ritos.

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