Saúde oral em desportistas de elite e alto rendimento em Portugal: Que caminho estamos a percorrer?
Por Filipa Cardoso (Autor), António R. Sampaio (Autor), João Paulo Vilas-Boas (Autor), João Carlos Pinho (Autor), David Pyne (Autor), Ricardo J. Fernandes (Autor).
Resumo
A saúde oral contempla as funções relacionadas com a boca, os dentes e as estruturas orofaciais, mas também se estende às dimensões psicossociais, estando intrinsecamente ligada ao bem- -estar geral e qualidade de vida do ser humano. O objetivo deste estudo foi avaliar o estado de saúde oral de desportistas portugueses de nível elite e alto rendimento praticantes de diferentes modalidades desportivas. Cento e dezasseis sujeitos foram avaliados quanto às relações dentárias, saúde oral e periodontal, presença de atividade parafuncional e histórico de tratamento ortodôntico. A amostra em estudo foi constituída predominantemente por adolescentes e jovens adultos, incluindo 62 desportistas de elite e 54 de alto rendimento (71 e 45 dos sexos masculino e feminino, respetivamente). Os participantes foram avaliados durante uma sessão de avaliação e controlo do treino no âmbito da sua preparação para as competições nacionais e internacionais, inclusivamente para os Jogos Olímpicos de Paris 2024. A normoclusão foi identificada na maioria dos desportistas (77%), apesar da observação de outras más-oclusões sagitais, transversais e verticais. Vinte e três participantes apresentaram cárie dentária e seis tinham dentes ausentes. A presença de gengivite (~40%), tártaro supragengival (~30%), sinais de atividade parafuncional (47%) e intervenção ortodôntica (~22%) também foi observada. Os nossos resultados indicam que a condição de saúde oral dos desportistas portugueses não se encontra devidamente monitorizada, reforçando a necessidade de intervenção e implementação de estratégias de promoção da saúde oral no contexto desportivo, particularmente no desporto de elite e alto rendimento.