Resumo

Relevância para a saúde pública — Como este trabalho se relaciona com uma questão de saúde pública?

Identifica como a participação precoce em um esporte osteogênico, como a ginástica artística, pode influenciar a saúde óssea décadas depois, um fator-chave na prevenção da osteoporose;

Aborda a carga da perda óssea relacionada à idade ao examinar uma população raramente estudada: ex-ginastas com 45 anos ou mais.

Significância para a saúde pública — Por que este trabalho é significativo para a saúde pública?

Demonstra que ex-ginastas apresentam maior densidade óssea e menor prevalência de osteopenia/osteoporose do que adultos de meia-idade e idosos da mesma faixa etária;

Sustenta a ideia de que maximizar o acúmulo de massa óssea durante o crescimento pode proporcionar proteção duradoura e ajudar a preservar a saúde óssea ao longo da vida.

Implicações para a saúde pública — Quais são as principais implicações ou mensagens para profissionais, formuladores de políticas e/ou pesquisadores em saúde pública?

Incentivar a prática de exercícios de alto impacto e com sustentação de peso na infância e adolescência pode ajudar a estabelecer uma “reserva óssea” ao longo da vida e reduzir o risco futuro de osteoporose;

Destaca a necessidade de estratégias de saúde óssea orientadas ao longo do ciclo de vida, que combinem os benefícios da sobrecarga mecânica precoce com suporte direcionado na idade avançada, especialmente para mulheres na pós-menopausa, que enfrentam perda óssea acelerada apesar de vantagens anteriores.


Resumo

A massa óssea máxima adquirida na juventude é crucial para a prevenção da osteoporose. A ginástica artística (GA) é altamente osteogênica, porém seus efeitos de longo prazo em adultos ≥ 45 anos ainda são pouco documentados. Este estudo caso-controle comparou a densidade mineral óssea (DMO) e a prevalência de osteopenia/osteoporose em ex-ginastas, controles pareados por idade e populações de referência do Brasil e de Portugal. Participaram 65 ex-ginastas (32 homens, 33 mulheres; 45–84 anos), que treinaram por 12,6 ± 4,3 anos, incluindo 41 competidores internacionais, e 91 controles (37 homens; 45–87 anos). A DMO de corpo inteiro e do fêmur foi avaliada por DXA. A atividade física na juventude (10–20 anos) (AF-Juventude) e na última década (AF-10) foi registrada. Dados de referência foram obtidos de grandes coortes no Brasil (FIBRA, n = 828) e em Portugal (CIAFEL, n = 1089).

Os ex-ginastas apresentaram AF-Juventude substancialmente maior que os controles, enquanto a AF-10 foi semelhante. Os ginastas exibiram escores Z femorais (colo e total) 4–6 vezes maiores e prevalência marcadamente menor de osteopenia/osteoporose (homens: 3% vs. 16%; mulheres: 36% vs. 52%, p < 0,05). Esses benefícios permaneceram após ajuste para idade, AF-10 e terapia hormonal/cálcio. Em comparação com as populações de referência, os ginastas apresentaram maior mineralização corporal total e femoral, sem casos de osteoporose (vs. 6–12% no total; 9–13% entre ≥ 60 anos). A análise estratificada por idade (45–59 e ≥ 60 anos) revelou prevalência consistentemente menor de osteopenia em todas as faixas etárias, exceto em mulheres ≥ 60 anos.

Conclui-se que a participação precoce na ginástica artística está associada a benefícios esqueléticos duradouros, incluindo maior mineralização óssea e redução de osteopenia/osteoporose em adultos ≥ 45 anos. O efeito protetor parece atenuado em mulheres mais idosas, provavelmente refletindo a perda óssea prolongada no período pós-menopausa.

 

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