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Nossas grandes cidades cada vez são mais desbotadas, com o cinza predominante alternando com tons suaves de cores esmaecidas, como bege, esverdeado, ou ainda a imposição do metálico ou espelhado, e do branco e do preto que também mostram sua força nas roupas e acessórios que usamos. Concreto, ferro e aço estão presentes cada vez mais no cotidiano urbano, em prédios retos, tipo caixas, que configuram a mesmice do espaço onde convivemos.

Não existe entre nós uma política efetiva da preservação e revitalização do patrimônio ambiental urbano, que diferenciaria a paisagem das nossas cidades, nosso lar maior. Essa ausência de política reverbera e muito no paisagismo pobre, verde insuficiente, bem abaixo dos mínimos recomendáveis.

Uma das poucas reservas de cores com as quais podemos conviver são as borboletas, mas elas estão desaparecendo, como consequência disso tudo.  As taxas de desparecimento são catastróficas e muito tristes. Não só pela perda dos balés impressionantes, das formas e cores belas, mas também pelo que isso significa em termos de equilíbrio ecológico.  As chamadas embaixadoras da beleza da natureza, chamam a atenção para a fragilidade e a interdependência das espécies. Além disso sua beleza nos acalma.

Motivos não faltam, como o aquecimento global e o uso indiscriminado de pesticidas.

Mas agora novas notícias dão conta que pesquisas recentes, mostram que o colorido das áreas urbanas tem nova ameaça, uma vez que a “selva de pedra” está apagando as cores dos passarinhos. Quem se propõe a avistar pássaros coloridos nas nossas cidades, encontra cada vez mais dificuldades, E isso é resultado de um conjunto de fatores ecológicos e do meio urbano, que dificultam a sobrevivência principalmente das espécies coloridas, que precisam de alimentação com frutas, e do abrigo de grandes árvores, devido a sua pouca capacidade de camuflagem. 

Grandes vidraças e vidros espelhados também são armadilhas para as aves. Além disso, as “ilhas de calor” afetam as espécies coloridas, em maior intensidade, por serem mais sensíveis. Os pombos e pardais são menos afetados.

Contribui também para essa situação o tráfico ilegal de pássaros. Dessa forma, a beleza das aves que poderia ser um fator motivador de contemplação, acaba se tornando um negócio, desencadeando todo um processo de exploração.

Preservar e incrementar a arborização das cidades, mantendo e criando matas próximas, praças e jardins, principalmente com espécies nativas, amenizariam a situação, pois propiciariam o convívio com mais espécies de aves, incluindo as coloridas.

A ausência do colorido das borboletas e dos pássaros são indícios graves de degradação ambiental que deveriam servir como mais um alerta para mobilização e pressão, em busca da boa convivência com o meio ambiente, do qual fazemos parte.

Enquanto medidas de políticas públicas não são tomadas ao nível global e nacional, pequenas iniciativas individuais podem ter alguns resultados, tanto para as borboletas, quanto para os passarinhos. Plantar jardins de espécies variadas e coloridas em áreas públicas ou nas nossas casas mesmo, se houver possibilidade, é uma medida simples que pode dar frutos

Vale lembrar, como sempre alerto, que numa sociedade do negócio, que implica na negação do ócio, necessário à nossa rotina maluca regida pela produtividade, momentos de contemplação no lazer são fundamentais na chamada “sociedade do cansaço. E que a cidade, considerando o cotidiano das pessoas, é o nosso principal equipamentos de lazer. Percorre-la pode ser enfadonho ou estimulante. E o colorido das borboletas e dos pássaros são atrativos que podem contribuir para a riqueza das nossas experiencias diárias.