Tempo de aula na educação física escolar do ensino médio na fronteira Brasil-Bolívia
Por Carlo Henrique Golin (Autor), Rogério Zaim-de-Melo (Autor).
Em Revista Brasileira de Ciência & Movimento v. 33, n 1, 2025.
Resumo
Este artigo apresenta uma análise aprofundada sobre a gestão do tempo de aula na Educação Física escolar do ensino médio, investigando a prática pedagógica em escolas das cidades fronteiriças de Corumbá e Ladário, em Mato Grosso do Sul. Com o objetivo de analisar o tempo de aula ministrado, a pesquisa se baseou na observação sistemática, categorizando o tempo em “tempo em atividade” (TA) e “tempo em não atividade” (TNA). A metodologia, inspirada em estudos anteriores sobre o tema, envolveu a observação de um total de 1.020 minutos de aulas. Os resultados quantitativos revelaram que apenas 57,94% do tempo total de aula foi destinado a atividades práticas, enquanto 42,06% foi classificado como TNA. Mais do que uma simples ausência de movimento, o TNA foi identificado como tempo gasto em ações não pedagógicas, como longos intervalos, transições desorganizadas e conversas alheias à disciplina. A discussão aponta que essa lacuna no tempo de atividade efetiva limita as oportunidades de vivências corporais dos alunos, um fator crucial para a promoção de um estilo de vida ativo e a prevenção de Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT), por exemplo. A improficuidade no uso do tempo, evidenciada pela alta porcentagem de TNA, demonstra a necessidade de se oportunizar diferentes vivências nas aulas, pois essa ineficiência no uso do tempo pode ter um impacto negativo não apenas na dimensão biológica, mas também em outras dimensões humanas que devem ser trabalhadas nas aulas de Educação Física escolar. Em conclusão, os dados evidenciam a necessidade de os docentes otimizarem o tempo de aula, assumindo um papel mais proativo na condução da disciplina. Este estudo sugere que futuras pesquisas aprofundem a análise do TNA para entender suas causas e propor intervenções pedagógicas mais eficazes.