Resumo
O objetivo do estudo foi constatar as relações entre trabalho e doença mental. Tomando por base os conceitos de Marx sobre o trabalho na sociedade capitalista, onde ele é alienante e exaure o trabalhador física e mentalmente, questionamos porque a Psiquiatria não leva em conta tais aspectos ao examinar o doente mental, bem como por utilizar o próprio trabalho como tratamento através da Terapia ocupacional ou Praxiterapia. Apoiados em autores de postura dialética, questionamos também a prática psiquiátrica que, como parte da ideologia, atribui as doenças mentais somente causas orgânicas, ignorando a possibilidade de tais causas, em algumas doenças, estarem no processo de produção capitalista. Com isso, nega a contradição louco encerrando-a em instituições especializadas, ou seja, no hospital psiquiátrico. Também, ao utilizar tal pratica, atribuir a responsabilidade da doença somente ao individuo, vendo-o como exceção de um mundo harmonioso. Assim, tomamos como objeto de pesquisa o individuo que anterior à sua doença mental, era corpo assalariado trabalahndo para o corpo proprietário, especialmente nas industrias onde a alienação é mais sofisticada e emerge mais nas funções de relação do operário. Da população masculina de um hospital psiquiátrico, após descrição do funcionamento dessa instituição total, levantamos os casos que preenchiam os seguintes sritérios: cujo diagnóstico não fosse de etiologia orgânica, que o trabalho que desempenhava antes da doença fosse em industria e que tivesse sido internado por familiares. Dos casos que preencheram tais critérios, escolhemos intencionalmente 6 que constituíram nossa amostra. Os estudos de casos foram construídos a partir dos dados dos protuarios clínicos e de entrevistas com os pacientes, com objetivo de obter a percepção de mundo do psiquiatra, da família e do próprio paciente sobre o trabalho e da doença mental. Os resultados obtidoas demonstraram nos casos estudados, que a capacidade para o trabalho acabou sendo de fato o limite entre sanidade/loucura, isto é, o individuo foi invalidado como doente mental quando, concomitante à sua dificuldade- uso de álcool de droga ou psicose-, deixava de ser produtivo para o sistema capitalista. Isso porque tanto o psiquiatra quanto a família e o paciente tem internalizado a idéia de que trabalhar é estar sadio mentalmente. O presente estudo com seus resultados e suas limitações sugeriu abrir novas perspectivas para a compreensão do chamado doente mental.