Resumo

Considerando o processo de inserção escolar do aluno deficiente mental em salas do ensino regular, este estudo tem como objetivo compreender o fenômeno da transformação do ambiente da sala de aula em um contexto promotor do desenvolvimento desse aluno, a partir de mudanças na qualidade interacional da díade professora-aluno desencadeadas por modificações no pensar e agir da professora sobre sua prática pedagógica, suscitadas no contexto interacional da pesquisa. Inicialmente, o estudo apresenta uma breve revisão teórica sobre a história da Educação Especial no Brasil e a evolução dos tipos de atendimento escolar oferecidos às pessoas com deficiência mental, e discute também o papel da escola na preparação destes indivíduos para sua inserção social plena. Posteriormente, o trabalho relata uma investigação empírica, realizada dentro dos parâmetros metodológicos do estudo de caso etnográfico, em uma escola pública municipal, envolvendo a participação de uma professora da primeira série do Ensino Fundamental. Os dados obtidos foram analisados tendo como referência os pressupostos teóricos da orientação ecológica do desenvolvimento humano, segundo Bronfenbrenner (1996). Como estratégia de investigação e coleta de dados foi utilizada a Entrevista Reflexiva a partir do Registro de Observação que, no ambiente da pesquisa, ofereceu à professora um espaço interaçional de discussão e reflexão, a partir de elementos de sua própria prática pedagógica. As Entrevistas Reflexivas a partir do Registro de Observação revelaram-se situações interacionais promotoras do desenvolvimento da professora, pois desencadearam mudanças significativas em sua forma de interpretar e perceber aspectos do microssistema da sala, transformando sua interação com o aluno deficiente mental em díades desenvolvimentais. O trabalho constata, portanto, que a transformação do microssistema da sala em um contexto favorecedor do desenvolvimento do aluno deficiente mental passa por mudanças na interação diádica da professora com esse aluno. Contudo, a ocorrência dessas mudanças envolve um conjunto de fatores que extrapolam a especificidade do processo de inserção escolar do deficiente mental, os quais devem ser analisados de uma forma mais ampla que considere o ambiente ecológico da escola inserido no macrossistema educacional.

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