Integra

Caros amigos do CEV,
No texto mais recente, além de destacar a importância de ampliar o "currículo oculto" do lazer por meio da exposição das pessoas aos diferentes conteúdos culturais dessa dimensão tão importante para as nossas vidas, contei que, aos 13 anos, tive, digamos, minha primeira experiência na "gestão do lazer", tema que, ainda hoje, é objeto de estudos e pesquisas.
Com alguns amigos, resolvemos criar o Estrela Futebol de Salão, um time infantojuvenil que começou a treinar nas dependências da ACM local.
Logo de início, organizei um "livro de ouro" para angariar fundos destinados à compra dos uniformes, que eu mesmo desenhei.
Eram dois modelos: um com camisas vermelhas e outro com camisas pretas. Ambos possuíam duas faixas verticais em um dos lados, em cor contrastante com o restante do uniforme.
O mais difícil foi convencer o senhor Jamil, proprietário da loja O Campeão Olímpico, a mais completa da cidade na época, de que eu queria que cada shorts tivesse o bordado de uma pequena estrela e, dentro dela, a numeração correspondente ao uniforme.
Até hoje conservo um exemplar completo, da marca Ceppo, confeccionado em malha mercerizada. Tenho um carinho especial pela camisa de goleiro, posição na qual consegui me destacar (como Tuco)
Creio que ainda guardo em algum lugar as "fichas de treinamento" (aquelas de 3" x 5"), com a data, a descrição dos exercícios de aquecimento, algumas atividades de resistência muscular e a parte tática que eu conduzia como "técnico"...
Mais tarde, já na categoria juvenil, passei a jogar pelo Milan Atlético Clube, que, nos anos 1960, venceu vários torneios importantes na cidade e na região.
Acreditem: com menos de 1,70 m de altura, joguei também como armador no basquete da Seleção Sorocabana e como levantador no voleibol, igualmente representando a cidade em Jogos Regionais e Jogos Abertos do Estado de São Paulo.
Mas creio que o auge da minha carreira esportiva pode ser descrito em dois momentos: quando joguei futebol americano como kicker e quando atuei como armador na equipe de basquete da escola onde fiz um ano de intercâmbio nos Estados Unidos (1967-1968) e, posteriormente, defendendo tanto a Escola Superior de Educação Física de São Carlos quanto a Seleção Paulista da FUPE, em ambos os casos como goleiro do que hoje chamamos de futsal.
Meu ano de intercâmbio em Mechanicsburg, uma cidade que na época tinha aproximadamente cinco mil habitantes e ficava próxima à capital da Pensilvânia, Harrisburg (e não Filadélfia, como muitos pensam...), marcou definitivamente a minha vocação para a Educação Física.
Nunca vou esquecer o Mr. Burnett, professor de Educação Física, que alternava suas aulas entre o ginásio de esportes, os campos, a pista oficial de atletismo e a piscina. Isso há quase 60 anos...
Foi lá que tive a certeza de que cursaria uma faculdade de Educação Física. Meu objetivo inicial era ingressar na recém-incorporada faculdade da USP, mas acabei seguindo para São Carlos.
Mas, esse será mais um capítulo da minha história aqui relatada.

28/9/2026