Resumo
No presente trabalho são discutidas algumas das formas mais usuais de avaliação psicológica aplicada a criança D.M. De modo especial discute-se o freqüente uso dos testes padronizados de inteligência, a grande ênfase dada ao escore Q.I. e ao aspecto intelectual, características destes testes e alguns aspectos históricos da criação dos mesmos, além de sua influência na produção de uma visão classificatória do "deficiente mental". Essa visão classificatória é também discutida por fundamentar toda uma filosofia de ensino carregada de preconceitos que comprometem a eficácia do ensino, na medida que, por princípio são pré-fixados os máximos esperados para cada categoria de alunos deficitários. O trabalho discute também a avaliação normalizada do Comportamento Adaptativo e do Desenvolvimento Infantil bem como a Avaliação através de Medidas referentes a Critérios, principalmente quanto à sua adequação aos diferentes tipos de casos. Estabelecidas as características e limitações desses instrumentos, seus objetivos e as populações a que se destinam, procura-se a contar quais deles são mais adequados a que tipo de casos, de modo a minimizar vieses na avaliação. Em conseqüência dessa análise crítica, são apontados os requisitos de uma maneira adequada de uma avaliação de Habilidades de Auto-Cuidado que permita o conhecimento das capacidades atuais da criança nessa área e, em decorrência tomar decisões acertadas ao ensino necessário. Por isso, propõe-se um Roteiro de Avaliação de Habilidades de Auto-Cuidados, abrangendo 85 tarefas pertinentes a Alimentação, Vestuário e Higiene. Para cada uma dessas tarefas, apresenta-se uma forma de avaliação através da análise e subdivisão em passos e para cada um desses passos foram descritos Instruções específicas e 5 níveis de ajudas ou incitações (auditiva, visual e física) com 6 possibilidades de desempenho para atingir-se o critério estabelecido para cada passo. Desse modo, permite-se uma avaliação pormenorizada, baseada em "critérios de execução" além de uma avaliação geral do desempenho nas áreas consideradas. Finalmente, propõe-se um método para aferir a utilidade do roteiro como um instrumento de avaliação, para o uso de profissionais e de não-profissionais que trabalham com crianças deficientes mentais.