Resumo

A região pélvica, estrutura anatômica que envolve a articulação sacroilíaca (ASI), é importante fonte de dores e disfunções, além de ser uma das principais regiões responsáveis pelo alinhamento e estabilidade corporal. A disfunção sacroilíaca pode ser definida por um estado de hipomobilidade da amplitude de movimento articular, seguida de uma alteração posicional entre a relação do sacro e o ilíaco. Dentre as possibilidades de avaliação da ASI, estão o Teste de Flexão em Pé (TFP), o Teste de Flexão Sentado (TFS) e o teste de Downing, contudo, esses testes clínicos palpatórios carecem de informações acerca das suas validades concorrentes, reprodutibilidades e acurácias diagnósticas. Desse modo, para melhor organização, esta dissertação foi dividida em três capítulos. CAPÍTULO 1: foi realizada uma revisão sistemática com o objetivo primário de investigar quais são os valores de reprodutibilidade e validade de testes clínicos palpatórios de mobilidade sacroilíaca, e objetivo secundário de investigar quais são os testes clínicos palpatórios de mobilidade sacroilíaca existentes na literatura. Essa revisão sistemática seguiu a metodologia PRISMA, as bases de dados PubMed, Embase, Scopus, Medline e PEDro foram pesquisadas utilizando as seguintes palavras chave, na língua inglesa: “Sacroiliac Joint”, “Range of Motion, Articular”, “Physical Examination” and “Palpation”, juntamente com seus termos livres. Não houve restrição quanto ao tipo de estudo e participantes. Foram incluídos 28 estudos, onde 15 testes clínicos palpatórios de mobilidade sacroilíaca foram descritos: (1) Teste de Flexão em Pé (TFP), (2) Teste de Gillet, (3) Teste de Flexão Sentado (TFS), (4) Teste de Flexão de joelho em prono, (5) Teste de Stork, (6) Supine Long Sitting Test, (7) Teste de Downing, (8) Inferior test, (9) The Initiation of the Squat Motion test, (10) Bourdillon's method, (11) Mitchell and Moran, (12) Joint Play (Menell) Test, (13) Spine Test, (14) Lateral Flexion e (15) Overtake Phenomenon. Em relação a reprodutibilidade, 14 estudos realizaram a avaliação interavaliador, cuja concordância pela estatística kappa variou de -0,05 a 0,77, e 8 estudos também realizaram a avaliação intra-avaliador, variando o valor de kappa de 0,08 a 0,73. Nenhum estudo incluído nessa revisão sistemática verificou os valores de validade desses testes. A metanálise para a reprodutibilidade intra-avaliador mostrou moderada a boa concordância para o Teste de Gillet (k= 0,46), TFP (k= 0,61) e TFS (k= 0,68). CAPÍTULO 2: o objetivo desse capítulo foi avaliar a validade concorrente, a reprodutibilidade intra e interavaliadores e a acurácia diagnóstica do Teste de Flexão em Pé (TFP) e do Teste de Flexão Sentado (TFS). Estudo prospectivo, onde a amostra foi composta por 30 indivíduos de ambos os sexos. A equipe de avaliação foi composta por 5 Fisioterapeutas (A, B, C, D e E). O padrão referência utilizado para a validade concorrente foi a medição tridimensional (cinemetria 3D), por meio do sistema BTS Smart-DX. Análise estatística: foi utilizado o percentual de concordância (%C) e a estatística kappa (k) para as análises de concordância, e a curva ROC (AUC) para determinar a capacidade discriminativa, os valores de sensibilidade e especificidade, além dos valores preditivos positivos (VPP) e negativos (VPN). Os resultados foram, para a validade concorrente: TFP (%C=66,7%; k=0,42; p<0,01) e TFS (%C=46,7%; k=0,12; p=0,25). Curva ROC: TFP (AUC=0,700; p<0,05; sensibilidade=80%; especificidade=60%; VPP=85%; VPN=78%) e TFS (AUC=0,602; p=0,52; sensibilidade=75%; especificidade=46%; VPP=20%; VPN=91%). Reprodutibilidade intra-avaliador: TFP (%C=66,3%; k=0,43; p<0,01) e TFS (%C=56,7%; k=0,38; p<0,01). Reprodutibilidade interavaliador: TFP (%C=10%; k=-0,02; p=0,825) e TFS (%C=13,3%; k=0,01; p=0,836). Portanto, o Teste de Flexão em Pé (TFP) é válido, reprodutível entre o mesmo avaliador e não acurado. O Teste de Flexão Sentado (TFS) não é válido, não é reprodutível e nem acurado. CAPÍTULO 3: o objetivo desse capítulo foi avaliar a validade concorrente, a reprodutibilidade intra e interavaliadores e a acurácia diagnóstica do teste de Downing. Estudo prospectivo, onde a amostra foi composta por 30 indivíduos de ambos os sexos. A equipe de avaliação foi composta por 5 Fisioterapeutas (A, B, C, D e E). O padrão referência utilizado para a validade concorrente foi a medição tridimensional (cinemetria 3D), por meio do sistema BTS Smart-DX. Análise estatística: foi utilizado o percentual de concordância (%C) e a estatística kappa (k) para as análises de concordância, e a curva ROC (AUC) para determinar a capacidade discriminativa, os valores de sensibilidade e especificidade, além dos valores preditivos positivos (VPP) e negativos (VPN). Os resultados foram: validade concorrente (%C=54,5%; k=0,43; p<0,01), curva ROC para disfunção posterior (AUC=0,889; p<0,05; sensibilidade=78%; especificidade=100%; VPP=100%; VPN=60%), curva ROC para disfunção anterior (AUC=0,657; p=0,37; sensibilidade=71%; especificidade=60%; VPP=71%; VPN=60%), reprodutibilidade intra-avaliador (%C=66,7%; k=0,43; p<0,01) e reprodutibilidade interavaliador (%C=16,7%; k=0,15; p<0,05). Portanto, o teste de Downing é válido, reprodutível somente entre o mesmo avaliador e acurado para disfunção posterior.

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