Eu vou começar minha postagem contextualizando um pouco quem eu sou. Gosto de fazer isso para que entendam de onde vem minha fala, meu olhar.

Eu sou Liana, mas podem me chamar de Lia ou Li. Sou professora de Educação Física e ando de skate (calma lá que eu não sou nenhuma Rayssa Leal). Faço o meu rolê principalmente para relaxar, “tirar o estresse”, me divertir e também me empoderar.

Como mulher, eu já sofri diversos preconceitos e opressões, com e sem skate. O skate, apesar de opressor em alguns momentos, foi para mim libertador: me ensinou a ter ousadia, a não ter medo de cair; me ensinou a cair e levantar; me ensinou a ter atitude. Cada um desses fatores eu compreendo como necessidades para sobreviver nesse mundo que, apesar dos avanços, ainda é cruel com nós, mulheres. Somos subestimadas e também violentadas diariamente, na esfera macro e micro de uma sociedade machista e patriarcal.

Toda essa conjuntura e essa vivência me fazem ser uma professora de luta. Eu luto contra a injustiça social, e uma delas, obviamente, é a luta das mulheres. Já faz um tempo que, na minha prática pedagógica, tenho incluído nas minhas aulas essa pauta. Se o conteúdo do bimestre é o futebol, lá estou eu, em algum espaço tempo da aula, fazendo essa problematização. E o skate é um desses conteúdos da Educação Física escolar em que faço ainda mais essa problematização. Tanto que foi assim que surgiu uma das minhas pesquisas no caso, minha tese de doutorado: “Respeita as mina: o ensino do skate na Educação Física escolar”.

Nessa dinâmica, nesse processo, fui me fortalecendo cada vez mais nesse campo da “luta das mulheres”, seja na minha dimensão pessoal, seja na minha dimensão profissional como professora de Educação Física, trazendo uma Educação Física libertadora, crítica, progressista, antimachista, feminista, antimissoginia e por aí vai.

Agora estou como coordenadora pedagógica de uma escola pública estadual aqui na minha terra, Fortaleza. Além de orientar meus pares (professores/as de Educação Física) a implementarem essa Educação Física, eu busco mobilizar toda a escola em prol dessa pauta, mas que não seja em apenas um dia, nem em apenas uma semana, e sim ao longo de um mês e do ano todo.

São trabalhos no laboratório de informática da escola sobre as mulheres, cine debates sobre as mulheres, quiz de literatura sobre as mulheres, rodas de conversa sobre as mulheres, palestras sobre as mulheres, concursos de redação sobre as mulheres, oficinas de skate e de defesa pessoal sobre e para mulheres. Assim vamos fortalecendo esse movimento, essa luta. A escola é um espaço valiosíssimo para envolver todos e todas nessa reflexão e, assim, tentarmos superar esses preconceitos e opressões.

Aproveito essa postagem para compartilhar algumas sugestões de materiais para saber mais e até para implementar nas escolas.

Filme:

  • Skater Girl: um filme de linguagem juvenil que conta a história de uma garota indiana que se encanta pelo skate, mas acaba passando por muitas situações de opressão para poder viver essa paixão.

Dica de leitura:

Sugestão de perfil para acompanhar:

  • @iracemastreet coletivo feminino de skate de Fortaleza-Ceará

São iniciativas como essas que ajudam a fortalecer a presença das mulheres com skate e sem skate e também ampliam nossas possibilidades de diálogo na escola e na sociedade.

 

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