Resumo

Esta tese transita pela sociologia e pela História da Educação Física, resgatando aspectos de sua institucionalização sob o discurso da saúde, do humanismo, da raça, da eugenia e das ciências positivas a partir do pensamento de Fernando de Azevedo. Utilizando como referencial teórico as categorias do método histórico-dialético e dialogando com a produção teórica da Educação Física e de autores que se tornaram clássicos para os que buscam compreender a constituição do campo/área, são analisados os contextos históricos e teóricos em que a Educação Física se institucionalizou, se profissionalizou e legitimou-se como uma área de conhecimento. São contextos em que Fernando de Azevedo também se constituiu como um intelectual vinculado ao pensamento cultural brasileiro. Azevedo foi um personagem vinculado às ciências sociais, notadamente, à sociologia. Foi um intelectual evolucionista cultural na essência de seu pensamento. Adepto da sociologia positivista de Émile Durkheim e, acima de tudo, defensor de um humanismo clássico e da escola como o lócus de transmissão e aplicação da cultura, aos moldes do que defendia Émile Durkheim. A chamada República Velha talvez seja um dos períodos mais pulsantes da história do pensamento brasileiro. Captar o turbilhão de acontecimentos em meio a tensões e conflitos internacionais e nacionais, a efervescência de várias linhas de pensamento e o uso político e ideológico das ciências que marcam o período. Ocasião caracterizada, sobretudo, pelas lutas em defesa dos interesses das frações das classes dominantes, que, sem abrir mãos do poder e dos privilégios oriundos de séculos de regime escravocrata, observaram o crescimento e a consolidação das organizações políticas e sindicais das novas classes trabalhadoras nascidas do processo de industrialização e urbanização que deu origem ao proletariado urbano, formado por segmentos da população originados a parir de negros e mestiços escravizados durante a Colônia e o Império. A década de 1920 é uma década chave na constituição do campo intelectual brasileiro e as teses e antíteses que nascem nesse período, servindo de antessala aos acontecimentos na década seguinte: os anos 1930. Os debates e teorias sobre a formação social brasileira, a questão da raça, do território e da urbanização deram o tom das interpretações e, também, dos caminhos para a transformação da realidade socioeconômica do país. A condição sanitária do Brasil no período era tema recorrente no pensamento social, abrindo espaços para que a interpretação racista acusasse a mestiçagem tipicamente brasileira de ser a culpada pela proliferação de doenças infectocontagiosas. Do sertão aos espaços urbanos das grandes cidades sofrem intervenções de intelectuais ligados à medicina e às ciências sociais e do direito que atuavam em órgãos de Estado por meio de políticas sanitárias e do higienismo, impregnadas na maioria por teorias racistas, desvelando uma sociedade indubitavelmente excludente e racista, para além de violenta. Contextos que fazem da Educação Física um instrumento de controle por meio da educação e de teorias eugenistas e higienistas. A tese tenta compreender, sugerindo novas análises e novas sínteses de qual foi o papel de Fernando de Azevedo, buscando articular o passado para compreender o tempo presente

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