Resumo

Na última década, debates e movimentações em prol da criação de uma liga profissional de clubes de futebol têm sido suscitados no Brasil com certa frequência, muito em decorrência da crise institucional gerada na CBF em razão dos escândalos envolvendo os últimos presidentes da entidade. Tal horizonte traz a recordação do primeiro movimento de clubes brasileiros em torno de uma liga independente. Em 1987, a chamada Copa União foi o resultado da crise que levou a CBF a assumir a impossibilidade de organizar o Campeonato Nacional daquele ano. Num arranjo envolvendo os treze clubes de maior torcida do país – congregados no recém-criado Clube dos 13 –, a Rede Globo e um conjunto de empresas dispostas a investir no futebol brasileiro. Ali, se confirmava que o futebol brasileiro já não era somente um movimento político, mas também empresarial, pois o discurso adotado pelos dirigentes desses clubes e por boa parte da imprensa do eixo Rio-SP era que a proposta do Clube dos Treze “pretendia ‘revolucionar’ o futebol brasileiro por meio da utilização de procedimentos mais ‘empresariais’ (GIGLIO; SANTOS, 2021, p. 46)”. Junto a isso, a aprovação da lei das SAFs em 2021 corrobora o discurso de inserção do empresariado no futebol, sobretudo nos níveis de gestão esportiva, marcados pela estrutura associativa. (SIMÕES, 2023, p. 432).