Resumo

Na prática do Treinamento Funcional de Alta Intensidade (TFAI), a inserção de exercícios de força e aeróbios na mesma sessão, ou em sessões próximas pode predispor o surgimento do efeito de interferência. Esse efeito prejudica a produção ótima de força e potência muscular dos membros inferiores refletindo possíveis alterações nas adaptações musculoesqueléticas. A exposição crônica a esse efeito parece ser vital para tais alterações, dessa forma, praticantes experientes vivenciariam essas alterações diferentemente daqueles não expostos ao efeito de interferência, como praticantes a longo prazo em Treinamento de Força (TF). Sendo assim, o objetivo dessa tese foi avaliar as adaptações na arquitetura, qualidade e morfologia muscular, além de desempenho de força máxima e potência muscular entre praticantes de TFAI e TF. Foi realizada uma pesquisa de caráter transversal, com 3 encontros constituídos de entrevista, avaliação e reprodutibilidade da avaliação. Participaram 24 homens (28,46 ± 6,03 anos; estatura de 162 ± 6,73 cm) alocados em três grupos diferentes: um grupo controle, chamado de fisicamente ativos (FA, n = 8) que praticavam diferentes tipos de atividade física, praticantes experientes há 3 anos em TFAI (TFAI, n = 8) e praticantes experientes há 4 anos em TF (TF, n = 8). Para a arquitetura e qualidade muscular foram coletadas informações do comprimento do fascículo (CF), ângulo de penação (AP), espessura muscular (EM) e intensidade do eco (IE) do Vasto intermédio (VI), Reto femoral (RF), Vasto lateral (VL) e Vasto medial (VM), por meio de um aparelho de ultrassom no modo B, além de informações do volume muscular e da área de secção transversa (AST) do RF e do VL, sendo todas as imagens processadas no programa Image J. Para a potência muscular, foi utilizada uma plataforma de força e análise por rotina matemática para coletar informações da altura do salto, pico de potência e pico de potência ajustado. Enquanto para a força muscular, foi coletada a maior carga levantada no teste de uma repetição máxima no agachamento costas. Foram realizadas comparações entre os grupos com auxílio da Análise de Variância de uma via, correlação entre adaptações na musculatura e o desempenho físico por meio do teste correlação de Pearson, sendo todas essas análises realizadas com auxílio do pacote estatístico SPSS, adotando nível de significância de 5%. Para o AP do VI e VM os grupos de treinamento não diferiram entre si e apresentaram maiores valores que os FA, enquanto para o AP do VL não houve diferença entre os grupos. Os grupos de treinamento apresentaram maiores valores de EM para o VI e RF, sem diferença entre eles. A EM do VL não diferiu entre nenhum dos grupos e o grupo de TF apresentou maior valor de EM do VM em relação ao grupo de FA. As medidas do CF e IE não diferiram entre os grupos. No volume muscular e para a AST do RF e VL, os grupos de treinamento apresentaram os maiores valores, sem diferença entre eles, além disso, esses mesmos grupos apresentaram maiores valores para a força máxima, pico de potência, e pico de potência ajustado, sem diferença entre eles. Houve correlação da força máxima com o CF (r = 0,839) do VM, além do AP (r = 0,751) e EM do VI (r = 0,726) para o grupo de TF, e com o CF do VI (r = 0,759) e AP do RF (r = 0,862) para o grupo de TFAI. Adicionalmente, houve correlação do pico de potência com a EM do VI (r = 0,717) e a EM do RF (r = 0,823), e da altura do salto com a EM do RF (r = 0,715) para o grupo de TF. Assim como correlação entre o CF do VL (r = -0,714), EM do VI (r = -0,83) e EM do VL (r = -0,781) com a altura do salto para o grupo de TFAI. Houve correlação da AST do VL com a força máxima (r = 0,805) e AST do RF com a altura do salto (r = 0,82) e potência pico (r = 0,742) para o grupo de TF. Assim como, houve correlação entre a AST do RF (r = -0,933) e do VL (r = -0,603) com a potência muscular para o grupo de TFAI. Por conseguinte, as adaptações de arquitetura, qualidade e morfologia muscular, além do desempenho físico entre praticantes de TFAI e TF são semelhantes entre si. Entretanto, as contribuições dessas adaptações para um bom desempenho de força máxima e potência muscular diferem entre os grupos. Assim, com base nos dados da presente tese, não foi confirmada a existência de um efeito de interferência com a prática do TFAI.

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