Resumo

No Congresso Internacional Olímpico, em 1905, que reuniu os representantes dos países membros do Comitê Olímpico Internacional (COI) para discutir questões relativas ao universo esportivo, definiu-se um esportista amador como “qualquer pessoa que nunca tenha participado de um evento aberto, a qualquer participante com prêmio em dinheiro, que cobrou entrada ou envolveu a participação de profissionais, e que nunca tenha tido um profissional ou professor de exercícios físicos contratado”. Depois disso, até meados do século XX, a discussão por uma padronização internacional do conceito de amadorismo, a ser adotada por todos os esportes e em todos os países do mundo, foi ampla e cheia de meandros, envolvendo readequações e adaptações desse conceito nas diversas sociedades que se faziam esportivas. O trabalho tem por objetivo investigar o trânsito cultural entre os sportmen brasileiros e estrangeiros, explorando como o ideal de amadorismo esportivo promovido pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) foi propagado pelo mundo na esteira do imperialismo inglês a partir de uma perspectiva global. Para isso, farei uma discussão sobre as disputas ao redor do conceito de amadorismo, analisando as acomodações feitas nesse conceito pelos sportmen brasileiros para que ele tivesse sucesso no país logo após a abolição da escravidão. Num segundo momento, proporei uma interpretação de como o amadorismo influenciou a trajetória pessoal e profissional de alguns atletas brasileiros. A análise terá como base dois conjuntos documentais: a coleção armazenada por Avery Brundage, ex-presidente do COI, será utilizada para compreender as discussões em âmbito internacional acerca do conceito de amadorismo; os periódicos e revistas esportivas de circulação nacional serão utilizados para compreender como eram retratados o esporte e o atleta amador, além de possibilitar a análise da trajetória dos mesmos. Até o momento, a pesquisa indica que o conceito de amadorismo propagado pelo COI se vincula às ideias de vocação e paixão. Ressignificado e adaptado para servir aos propósitos da elite brasileira, o amadorismo estabelece critérios de distinção e segregação em relação aos membros das classes populares, alguns deles recém-saídos da escravidão.

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