Resumo

A história da infância é marcada por processos gradativos de reconhecimento das crianças enquanto detentoras de direitos e produtoras de cultura. Tais processos são representados, em alguma medida, no campo da Educação Física, que dispõe ao longo de sua trajetória de constituição, produções que consideram a infância de maneira fragmentada, sem contemplar suas particularidades e potencialidades. Nesse sentido, as produções acadêmicas acabam por desvelar nuances acerca da infância, que trazem à tona compreensões decisivas na composição das identidades docentes em Educação Física, sobretudo, no contexto da Educação Infantil. Na esteira dessas reflexões, a presente pesquisa tem como objetivo geral analisar as perspectivas de infância previstas nas produções acadêmicas dos cursos de Licenciatura e Licenciatura Plena em Educação Física da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), em São Luís – MA, no período compreendido entre 2002 e 2022. No que se refere aos objetivos específicos, busca-se mapear as principais temáticas propostas, e identificar os conceitos e noções de infância vinculados a essas produções. Para tanto, a metodologia adotada, foi a análise de conteúdo categorial de Laurence Bardin, a partir de um levantamento de Trabalhos de Conclusão do Curso de Licenciatura em Educação Física da UFMA, tanto no acervo físico (2002-2015) bem como no repositório virtual (2019-2022). Obteve-se como resultado um universo amostral de 411 TCCs, dos quais apenas 28 tratam de temas relacionados às crianças. Essas 28 produções foram agrupadas em 4 categorias, com base nas semelhanças de seus subtemas e objetos de estudo: I) Ludicidade e/ou prática pedagógica em Educação Física; II) Esporte, treinamento desportivo e desenvolvimento de valores e/ou aspectos motores; III) Saúde e qualidade de vida; IV) Cultura lúdica infantil e/ou escolar. Desse universo, verificou-se que 17 trabalhos pertencem a subárea da biodinâmica, 21 a sociocultural e 15 a pedagógica. Durante a análise dos TCCs percebeu-se que muitas dessas pesquisas adotam uma perspectiva biologicista que compreende as crianças, destacadamente, como sujeitos em desenvolvimento e/ou pré-adultos, tratando a infância como fase da incompletude. Para mais, é associada à ideia de que a criança é ingênua, inocente e necessita ser moldada e educada para as demandas da vida adulta. Assim, é necessário o avanço de estudos que tratem as crianças como sujeitos ativos e autônomos, com produções culturais próprias, com necessidades voltadas para o presente e não somente para o futuro, pois poucos TCCs analisados adotam essa perspectiva. Dessa forma, as crianças podem figurar menos nas “entrelinhas” das pesquisas e assumir um protagonismo na agenda pública destinada para elas, dentro e fora das aulas de Educação Física.

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