Box - São Luís Já Teve

Por: José Ribamar Martins.

Atlas do Esporte do Maranhão.

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BOX - SÃO LUÍS JÁ TEVE - JOSÉ RIBAMAR MARTINS In SÃO LUIS ERA ASSIM (minha terra tem palmeiras, já nem tantos sabiás) RELEMBRANDO LANCHAS E O MEARIM. Brasília: Equipe, 2007 (Capitulo XV, p. 67-69).

Nas minhas andanças em busca do passado, parei no cruzamento das ruas Grande e do Passeio, quando resolvi testar até que ponto os atuais habitantes têm intimidade com sua cidade. Perguntei a três pessoas diferentes que por ali circulavam onde ficava o Canto da Viração. Nenhuma soube dizer e estavam exatamente ali. O antigo deu lugar ao novo. Pó sinal, a origem do nome é muito controvertida. Houve até quem tentasse explicar que é assim chamado porque naquele local as pessoas costumavam se virar para conquistar parceiros amorosos. Outros dizem que é porque ali havia o mais importante cruzamento de linhas de bondes da cidade. Já tive oportunidade de conversar com pessoas antigas e ler alguma coisa a respeito, prevalecendo a opinião de que o nome se deve `a freqüente brisa (ou viração) que sopra formando redemoinhos, comprometendo o recato das donzelas de saia que por lá passavam. Acredito ser esta última a versão verídica e fico com ela.

Será que alguém ainda se lembra da primeira quadra de tênis que existiu em São Luís? Talvez uns poucos. Foi construída por ingleses que moravam e trabalhavam na capital. Ficava na beira-mar, onde hoje existe a sede do Casino Maranhense. Ao lado, de canto  com a “Montanha Russa”, existia e ainda existe  desativada  há muito tempo, uma edícula onde um maquinário processava os dejetos recolhidos de parte da cidade antes de lançá-lo ao mar. Teria sido uma das primeiras usinas de tratamento de esgotos da  capital do Maranhão. A outra fic ava na Praia do Desterro, onde  outrora existiu uma rampa e atracadouro de embarcações, em frente do antigo e movimentado armazém do “Aracati Campos”. Muito recentemente foram construídos dois modernos terminais com essa destinação no Jaracati e no Bacanga. Também foram os ingleses do Cabo Submarino (The Western Telegraph Company), que construíram nas suas instalações localizadas no Olho d’Água uma quadra de “squach”. Provavelmente foi a primeira e única que já existiu em São Luís.

Bem a propósito de coisas que já existiram em nossa tão querida “Upaon-Açú”, o jornalista Nonato Masson cita diverso, em um de seus trabalhos: um parque permanente de diversões, na Rua dos Remédios, chamado “Tívoli”, que possuía carrossel, cosmorama, tiro ao alvo, bilhares, circo, roda-gigante; o “Velódromo Maranhense”, de iniciativa de Joaquim Moreira Alves dos Santos, o popular Nhozinho Santos, que também introduziu o futebol no Maranhão;  Jardim Botânico, situado na atual Praça Benedito Leite, anteriormente chamada Praça João Velho do Vale, Praça 13 de Maio, Praça da Assembléia e, mais recentemente, apenas “Pracinha”; metrô de superfície (o primeiro do Brasil, segundo afirma), que percorria a extinta Estação de Bondes ao Anil; hipódromo, com pista de areia e grama, no João Paulo, próximo da atual feira, criado por um banqueiro  chamado João Batista Prado; Escola Agrícola de São Luís, fundada pelo presidente da província João Lustosa da Cunha Paranaguá, nas imediações do riacho Cutim; fábrica de chumbo e pregos, na Rua da Viração; Fábrica de Fósforos do Norte e a Empresa Maranhense de Cortumes Ltda., na Jordoa; Companhia Lanifícia do Maranhão, que industrializava lã e seda, na Madre Deus e, posteriormente, transferiu-se para a Rua das Crioulas, onde também fabricava casimiras; fábrica de cigarros Elba, no Caminho Grande; Escola de Aprendizes Marinheiros, que funcionou no Largo dos Remédios; jardim zoológico, inaugurado pelo governador Luiz  Domingues, em 24 de fevereiro de 1911, em espaço interno do Palácio dos Leões; Clube de Regatas Athenas, fundado pelos remadores José Teixeira Rego e Sílvio  Fonseca, com sede na Praia do Jenipapeiro, que disputava as regatas no Rio Anil.


 

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