Resumo

O futebol brasileiro possui papel central na cultura e economia nacional, movimentando bilhões e integrando políticas públicas e marcos regulatórios ao longo das décadas. Com a criação das Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs) e a entrada de capital privado, surgem novos desafios para a contabilidade e a governança dos clubes. A recente negociação, pela Liga Forte União (LFU), dos direitos comerciais do Campeonato Brasileiro entre 2025 e 2074 com fundos de investimento trouxe à tona inconsistências nas estratégias de reconhecimento contábil adotadas por diferentes clubes. Este estudo analisa os casos de Vasco da Gama, Atlético-MG e Internacional, que apresentaram abordagens distintas na contabilização dos recursos recebidos, influenciando diretamente a Demonstração de Resultado do Exercício (DRE), índice de liquidez e o EBITDA. À luz das normas NBC TG 30, NBC TG 06 (R2), ITG 2002 e NBC TG 47, o trabalho identificou variações significativas no reconhecimento contábil da operação com a LFU entre os clubes analisados. A partir de metodologia qualitativa e análise documental das demonstrações financeiras de 2023, constatou-se que tais práticas impactaram diretamente os indicadores de resultado, liquidez e a comparabilidade entre as entidades. Os achados reforçam a necessidade de diretrizes padronizadas para o reconhecimento de receitas de longo prazo, propondo caminhos para fortalecer a transparência e a consistência informacional no contexto das SAFs

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