Cartão amarelo na área contábil: o reconhecimento de receitas de clubes da liga forte união
Por Gustavo Moreira (Autor), Nawan Rodrigo Sousa das Chagas (Autor), Josmaria Ribeiro Oliveira (Autor).
Em Revista Intercontinental de Gestão Desportiva v. 16, n 1, 2026.
Resumo
O futebol brasileiro possui papel central na cultura e economia nacional, movimentando bilhões e integrando políticas públicas e marcos regulatórios ao longo das décadas. Com a criação das Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs) e a entrada de capital privado, surgem novos desafios para a contabilidade e a governança dos clubes. A recente negociação, pela Liga Forte União (LFU), dos direitos comerciais do Campeonato Brasileiro entre 2025 e 2074 com fundos de investimento trouxe à tona inconsistências nas estratégias de reconhecimento contábil adotadas por diferentes clubes. Este estudo analisa os casos de Vasco da Gama, Atlético-MG e Internacional, que apresentaram abordagens distintas na contabilização dos recursos recebidos, influenciando diretamente a Demonstração de Resultado do Exercício (DRE), índice de liquidez e o EBITDA. À luz das normas NBC TG 30, NBC TG 06 (R2), ITG 2002 e NBC TG 47, o trabalho identificou variações significativas no reconhecimento contábil da operação com a LFU entre os clubes analisados. A partir de metodologia qualitativa e análise documental das demonstrações financeiras de 2023, constatou-se que tais práticas impactaram diretamente os indicadores de resultado, liquidez e a comparabilidade entre as entidades. Os achados reforçam a necessidade de diretrizes padronizadas para o reconhecimento de receitas de longo prazo, propondo caminhos para fortalecer a transparência e a consistência informacional no contexto das SAFs