Comparativo entre o índice da capacidade de tomada de decisão em jogadores e jogadoras de futebol sub-17
Por Marlon Carvalho Major (Autor), Felippe Cardoso (Autor), Rayane Alhadas (Autor).
Em Seminário de Formação esporte e teoria histórico culrural
Resumo
O futebol feminino brasileiro foi proibido entre 1941 e 1979, comprometendo seu desenvolvimento. Mesmo após a liberação, persistem desigualdades em investimento e visibilidade, que podem influenciar a formação das atletas. Assim, é relevante investigar como fatores socioculturais e suas heranças impactam aspectos do jogo, como leitura e tomada de decisão. Objetivo: Verificar e comparar a leitura de jogo e a capacidade de tomada de decisão entre jogadores e jogadoras sub-17 de duas equipes amadoras federadas, considerando as especificidades do contexto regional. Metodologia: Participaram 58 atletas sub-17 (29 masculinos e 29 femininos), com pelo menos um ano de treinamento regular. A avaliação ocorreu na plataforma on-line TacticUP®, que mensura leitura de jogo e tomada de decisão com base nos princípios táticos fundamentais do futebol. Para análise, os participantes foram subdivididos por sexo. A normalidade foi verificada com o teste de Kolmogorov-Smirnov e, sem distribuição normal, utilizou-se o teste não paramétrico de Mann-Whitney, com significância de p < 0,05. Resultados: Houve diferença significativa nos índices de penetração (MASC 79,11 ± 10,58; FEM 69,01 ± 13,73; p=0,00), contenção (MASC 76,82 ± 13,32; FEM 67,56 ± 19,10; p=0,04), equilíbrio de recuperação (MASC 67,74 ± 17,62; FEM 56,90 ± 19,99; p=0,04), performance ofensiva (MASC 71,80 ± 8,14; FEM 67,59 ± 6,26; p=0,03) e performance de jogo (MASC 68,48 ± 5,43; FEM 65,76 ± 5,24; p=0,04), favorecendo o grupo masculino. No índice de unidade defensiva (MASC 44,92 ± 15,82; FEM 54,53 ± 13,77; p=0,03), o grupo feminino apresentou melhores resultados. Conclusão: Jogadores do sexo masculino apresentaram maior capacidade de tomada de decisão em penetração, contenção, equilíbrio de recuperação, performance ofensiva e performance de jogo, enquanto jogadoras se destacaram na unidade defensiva. Esses achados sugerem possíveis influências socioculturais e históricas no desenvolvimento tático, reforçando a necessidade de estratégias de treino que considerem tais especificidades.