Resumo

Este estudo propõe uma leitura de cinco contos de futebol escritos por mulheres no Brasil e na Argentina, interrogando o lugar formal que o jogo ocupa na arquitetura narrativa dessas obras. O corpus organiza-se a partir das categorias de demandas intrínsecas e extrínsecas, propostas por Edônio Alves Nascimento, que distinguem narrativas em que o futebol estrutura diretamente a ação e narrativas em que o jogo atua de forma deslocada, mediada ou discursiva. No primeiro conjunto, examinam-se contos em que o futebol organiza a cena narrativa e seus conflitos, como “Amistoso”, de Rachel de Queiroz, “Fútbol era el de antes”, de Ana María Shua, e “O sucesso”, de Adriana Lisboa. No segundo, analisam-se textos em que o jogo não se realiza como ação esportiva central, mas se manifesta por meio da memória, da oralidade, da mídia ou das torcedoras, como em “La camaradería del deporte”, de Selva Almada, e “Matosas”, de Esther Cross. Ao projetarem vozes femininas sobre o futebol, esses contos problematizam cenas de violência, formas de vigilância dentro e fora do campo e as assimetrias de gênero que atravessam as relações narradas.

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