Corpo taoista, corporeidade/subjetividade humana e o campo da educação física
Por Davi Pires Santos (Autor), Renato Bastos João (Autor).
Resumo
É de suma importância para o campo de conhecimento da Educação Física situar o corpo no seu contexto sócio-histórico-cultural, buscando escapar do reducionismo biologicista, que o define apenas como objeto das ciências biológicas, fundamentado a partir da epistemologia positivista e tendo como propósito biomédico a manutenção da sua saúde, entendida unicamente a partir de parâmetros biodinâmicos. Valores são, portanto, adicionados à ideia de corpo quando este é pensado pela ótica de outras disciplinas, como a filosofia, sociologia, psicologia e a antropologia, não descartando os conteúdos ligados à visão biomédica, mas extrapolando-os. Seguindo o pensamento de Claude Lévi-Strauss (2018), que lamenta o fato de ninguém ter feito um inventário de todos os usos que os homens fazem de seus corpos, evitando um possível risco de abandonarmos, num passado inexplorável, certas práticas, cujo conhecimento e análise podem ser úteis para a compreensão da sociedade atual, será apresentado aqui, de forma sucinta, o pensamento sobre o corpo e seu uso pelos taoistas – uma dessas sociedades não dualistas –, sob a ótica do autor Mantak Chia (2001; 2002a; 2002b; 2003; 2004). Devido à numerosa disponibilidade da sua literatura em língua portuguesa, espera-se que o acesso a essa descrição de corporeidade possa influenciar novos pensamentos para a Educação Física.