Desenvolvimento humano e brincadeira de faz de conta Linguagem, mediação e produção cultural na infância amazônica
Por Ana Cristina Mota da Costa Cunha (Autor), Rayanne Mesquita Estumano (Autor), João Luiz da Costa Barros (Autor).
Resumo
O presente artigo analisa a brincadeira de faz de conta como forma de linguagem, mediação e produção cultural na constituição do desenvolvimento humano, a partir de estudo empírico realizado na Educação Infantil no contexto amazônico. Fundamentado na Teoria Histórico-Cultural, especialmente nas contribuições de Vigotski (2021; 2009), Leontiev (2004) e Luria (2010), o estudo adota abordagem qualitativa e análise microgenética segundo Góes (2000) de um episódio em que crianças utilizam peças de monta-monta para simular um barco e a atividade de pesca no rio. Argumenta-se que o brincar, enquanto prática social mediada, promove reestruturações qualitativas na relação entre campo visual e campo semântico, favorece a emergência da autorregulação, da vontade e da consciência cultural, e evidencia o deslocamento do plano interpsicológico para formas intrapsicológicas de organização da conduta. A análise demonstra que a brincadeira não apenas representa experiências socioculturais amazônicas, mas as reelabora simbolicamente, configurando-se como atividade formadora que cria zonas de desenvolvimento iminente e participa da constituição ontológica do sujeito. Conclui-se que o brincar de faz de conta constitui dimensão estruturante do desenvolvimento humano na infância, ao articular linguagem, cultura e atividade em um processo histórico de humanização.
Referências
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