Desigualdades de gênero nas aulas de educação física: percepções de estudantes de 8º e 9º ano do ensino fundamental
Por Laís Sandi Foganholo (Autor).
Em XX Congresso de Ciências do Desporto e de Educação Física dos Países de Língua Portuguesa
Resumo
Neste trabalho apresentamos os dados parciais de uma pesquisa que teve como objetivo investigar a percepção das/os estudantes sobre as desigualdades de gênero existentes e provenientes da socialização. Esta pesquisa foi realizada em uma escola pública no município de Cuiabá/MT, com turmas de 8º e 9º anos e aqui apresentamos os principais resultados que abarcam a participação nas aulas a partir de quatro perspectivas de análise (comparecimento, participação, engajamento e interesse), todas investigadas utilizando questões objetivas contendo três opções de alternativas (sim, não e às vezes), além da percepção de cada gênero sobre si e sobre o sexo oposto acerca do envolvimento e interação entre eles durante as aulas. Os dados foram coletados por meio de questionário impresso e aplicado mediante preenchimento de Termo de Consentimento Livre e Esclarecido e Termo de Anuência Livre e Esclarecida durante as aulas de Educação Física. Constatamos que, mesmo que o comparecimento seja obrigatório, é possível se ausentar faltando ou “matando aula”. No quesito participação, estudantes do sexo masculino indicam participar mais que as estudantes do sexo feminino, contudo eles também, ao mesmo tempo, rejeitam mais as aulas. Elas, por sua vez, apresentaram um percentual maior de oscilação indicando que ora participam, ora não participam, o que pode aludir a uma participação não efetiva. Esta pode ser constituída por participação mascarada, permanecendo parcialmente ou não se envolvendo com a proposta, ou de não participação total, que consiste em deixar de participar e/ou desempenhar outras funções desconexas. Sobre o engajamento, compreendido como empenhar-se e envolver-se nas propostas, elas indicaram engajar-se mais que os colegas, o que eles confirmaram. Porém, novamente elas apresentaram oscilações maiores, indicando em suas respostas a alternativa às vezes, o que indica maior possibilidade de não se envolverem. Sobre o interesse, em geral, eles indicaram ter mais interesse que elas, porém se engajam menos, possivelmente pelos conteúdos abordados. Já sobre a percepção de cada gênero sobre si e sobre o outro, em nenhuma das questões os alunos compreenderam as colegas como mais engajadas que eles, o que é reforçado por elas, mesmo que em outra questão elas também tenham destacado seu próprio envolvimento, evidenciando o reforço da lógica de subjugação do sexo feminino pelo masculino também presente na cultura escolar. Outros aspectos identificados foram a aceitação e a interação entre gêneros nas atividades conjuntas. Enquanto as alunas apontaram aceitá-los nas atividades, os alunos, por sua vez, indicaram maior rejeição advinda delas, o pode indicar duas possibilidades: a) elas de fato acolhem os colegas nas práticas possibilitando que eles assumam o protagonismo a favor do “bom desenvolvimento” das propostas e em detrimento de sua vivência e aprimoramento; e/ou b) elas reagem às desigualdades de gênero criando espaços exclusivos para que suas expectativas e necessidades sejam atendidas com o mínimo de interferência possível do gênero oposto. Compreendemos, portanto, a urgência em repensar e implementar práticas pedagógicas que promovam equidade de gêneros questionando a lógica de dominação masculina tornando as aulas de Educação Física um espaço mais inclusivo e diverso.