Resumo

A existência humana é impossível de ser compreendida dissociada do corpo. A condição humana é essencialmente corporal. Dos seus inúmeros desdobramentos – físico, biológico, religioso, sexual, sensível, estético, social, cultural –, de prisão da alma a centro de defesa e apreciação, o corpo representou uma diversidade de coisas ao longo dos diferentes momentos históricos. O corpo pode desdobrar-se em reflexo da conjuntura em que se insere, buscando desnaturaliza-lo enquanto construção sociocultural. Logo, podemos assumir o corpo, os corpos como objetos de estudo que falam de si e do meio, do espaço e do tempo. Já está amplamente debatida, na literatura nacional, a estreita relação que a ginástica e algumas práticas corporais tiveram com o debate médico. Durante o século XIX, o desenvolvimento da medicina, em diversos momentos, buscou validar a importância de uma educação física para o fortalecimento do corpo e da nação. Dentre os exercícios físicos defendidos, a ginástica ocupou um lugar de destaque nesta comunidade, devido ao seu pretenso caráter científico. O aumento de pesquisas nas áreas da fisiologia, anatomia e biologia, apontavam a importância destas práticas para o desenvolvimento social, assentando-se em justificativas que giravam em torno de ideais higiênicos, morais, estéticos e econômicos. Ideais esses que compunham uma noção do que seria moderno, objetivo central que motivava uma grande parte das/os brasileiros, principalmente uma elite econômica, política, intelectual e, notadamente, médica. Na esteira desse pensamento, nosso estudo busca compreender quais as representações de corpo presentes nas edições da Gazeta Médica da Bahia (GMB) e as relações entre uma educação do corpo centrada nos ideais modernizadores, procurando localizar o debate acerca da ginástica e de outras práticas corporais nesse contexto.

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