Resumo

A relação da Educação Física (EF) com o que na cultura ocidental moderna se entende por natureza é bastante definidora do que ela vem sendo. É conhecido o fato de que na fundação da EF na modernidade, o corpo foi entendido como nosso elo com a natureza; a natureza em nós. Assim, os estudos ou o conhecimento nos quais a EF vai se fundamentar, são aqueles que buscam explicar o funcionamento desse organismo em repouso e em movimento sob o ponto de vista biológico. Construindo diferentes formas de exercitar, movimentar esse corpo, teríamos a possibilidade de manter, aperfeiçoar, melhorar seu potencial oferecido pela natureza. Enfim, influenciada pelo cartesianismo a EF participava do processo ou do projeto de domínio da natureza pela intervenção no corpo. A “paisagem cognitiva” dominante colocava a natureza à disposição do ser humano, que com sua racionalidade (científica) era capaz de conhecer as leis de seu funcionamento e assim, dominá-la e transformá-la em seu proveito, consolidando a separação, ou seja, deixamos de pertencer à natureza e, simultaneamente, ela passou a nos pertencer. Observe-se que na EF, a intervenção sobre o corpo-natureza sempre teve também o objetivo de controle do comportamento. O exercício físico pode fortalecer nosso controle sobre o corpo e dos comportamentos a ele ligados (controle dos impulsos “naturais” indesejáveis).

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