Resumo

A escola e a Educação Física de modo particular, sempre tiveram dificuldades em lidar e abrir espaços para a manifestação e a valorização das diferenças. Tendo em vista a atualidade do tema e necessidade de investigações que aprofundem na discussão do multiculturalismo, esta pesquisa, de caráter teórico, tem como objetivo aproximar a Educação Física desse universo. Para tal foi realizada uma ampla revisão de bibliografia sobre o assunto que buscou refletir sobre a prática pedagógica dos profissionais de Educação Física, apontando algumas possibilidades de abordagem pedagógica do tema. Com relação à prática pedagógica atual dos professores percebeuse a presença de atitudes de discriminação e preconceito nas aulas de Educação
Física e que não há, de forma geral, uma ação planejada para o tratamento da questão.
Para a mudança deste quadro sugerem-se os seguintes encaminhamentos: a) não
encarar a problemática das discriminações e dos preconceitos de forma superficial,
mas sim destacando o conteúdo discriminador e estimulando a reflexão sobre ele
sem esquecer a especificidade do componente curricular; b) valorizar as diferentes
manifestações culturais espontâneas e propor situações em que estas se mostrem e
sejam problematizadas; c) utilizar o princípio da inclusão; d) reflexão do professor
sobre sua própria ação, pois muitas vezes algumas brincadeiras, apelidos, trejeitos,
são incorporados ao nosso cotidiano, tornando-se um habitus desconhecido por
nós e refletindo algum tipo de discriminação; e) escolher e contextualizar os conteúdos
de forma diversificada, favorecendo a formação multicultural dos alunos, através do
tratamento metodológico dado ao tema, ou seja, não basta, por exemplo, escolher
uma dança que represente a cultura de um país e não contextualizá-a; f) avaliar
através de observação sistemática as atitudes dos alunos com relação ao respeito às
diferenças; g) análisar criticamente os jogos e as brincadeiras desenvolvidos nas
aulas para verificar se os mesmos não valorizam os alunos que apresentam
determinadas capacidades físicas, notadamente velocidade e agilidade, criando um
novo tipo de discriminação: a dos menos habilidosos; ou mesmo se não reforçam e
divulgam preconceitos; h) realização de projetos interdisciplinares que objetivem a
diminuição de práticas discriminatórias e levem em consideração a realidade cultural
da comunidade na qual a escola se encontra.

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