Resumo

A cirrose hepática é o estágio final de diversas doenças crônicas do fígado, caracterizada por fibrose extensa e remodelamento nodular, levando a complicações sistêmicas como disfunção autonômica, perda de massa muscular e redução da capacidade funcional. Embora estudos em indivíduos saudáveis demonstrem que a ingestão de água possa modular o sistema nervoso autônomo, seus efeitos em pacientes com cirrose hepática, especialmente na presença de hipertensão portal clínica significativa (HPCS), permanecem pouco explorados. Além disso, o impacto do treinamento físico aeróbico e resistido sobre a variáveis funcionais, antropométricas e de qualidade de vida ainda mostra resultados contraditórios nesses pacientes. Objetivos: Objetivo no estudo 1, foi avaliar o efeito da ingestão de água sobre o índice vagal cardíaco e a frequência cardíaca em pacientes com cirrose, considerando a presença de HPCS. No Estudo 2, analisar por meio de uma revisão sistemática os efeitos do treinamento aeróbico e resistido sobre a qualidade de vida, capacidade funcional e composição corporal em pacientes cirróticos. Métodos: No Estudo 1, 37 pacientes com cirrose (Child–Pugh A ou B) realizaram teste de exercício de quatro segundos para mensuração do índice vagal cardíaco em condição basal e 10, 20 e 30 minutos após ingestão de 500 ml de água; a frequência cardíaca foi registrada nos mesmos momentos. A HPCS foi definida segundo critérios do Baveno VII. No Estudo 2, conduziu-se uma revisão sistemática no MEDLINE, Cochrane Library e Web of Science, incluindo ensaios clínicos controlados e randomizados que avaliaram exercícios aeróbicos ou resistidos versus controle sem intervenção em pacientes com cirrose hepática. Foram analisados os seguintes desfechos: qualidade de vida, VO₂pico, índice de massa corporal (IMC), distância percorrida no teste de caminhada de 6 minutos (TC6) e circunferência da coxa. A qualidade da evidência foi avaliada pelo sistema GRADE. Resultados: No Estudo 1, a ingestão de água aumentou significativamente o índice vagal cardíaco aos 10, 20 e 30 minutos (p=0,021; p=0,022; p=0,037) e reduziu a frequência cardíaca (p=0,021; p<0,001; p<0,001), sem diferença relevante entre pacientes com ou sem HPCS. No Estudo 2, seis ensaios clínicos (n=244; 53– 63 anos; Child–Pugh A–C) foram incluídos. O treinamento resistido melhorou a qualidade de vida (diferença de médias padronizada = 0,36; p=0,04) e o treinamento aeróbico e resistido aumentou a distância no TC6 (+49,39 m; p=0,03), sem efeito significativo sobre VO₂peak, IMC ou circunferência de coxa. A qualidade da evidência variou de muito baixa a moderada. Conclusão: A ingestão de água promoveu aumento da atividade vagal cardíaca e redução da frequência cardíaca em pacientes com cirrose, independentemente da presença de HPCS. O treinamento aeróbico e resistido demonstrou eficácia na melhora da capacidade funcional e da qualidade de vida, sem alterações na composição corporal.

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