Resumo

Esta tese investiga as possibilidades e os desafios da implementação da abordagem (AA) ativista em aulas de educação física (EF) nos anos iniciais do ensino fundamental, em uma escola pública brasileira. Embora estudos anteriores já tenham evidenciado o potencial da abordagem para ampliar o engajamento, a motivação e a aprendizagem de estudantes, especialmente no ensino médio, ainda são escassas as investigações que exploram sua implementação em turmas com crianças. Assim, com base em uma pesquisa-ação participante, este estudo foi realizado ao longo de 12 meses em uma turma de 4o ano do ensino fundamental, composta por 20 estudantes entre 9 e 12 anos. Participaram também uma professora de EF e duas amigas críticas em um trabalho de comunidade de prática. A construção dos dados envolveu observações de campo, sessões de trabalho com os/as estudantes, grupos focais, análise de artefatos produzidos pelos/as estudante, além da análise das reuniões com a comunidade de prática e dos encontros de amiga crítica. Para a compreensão dos dados foi utilizada a análise temática reflexiva. Estruturada em formato de artigos, a tese articula três estudos interdependentes. O primeiro apresenta a AA ao contexto brasileiro como uma possibilidade de articulação entre a pedagogia do esporte, as abordagens críticas da EF e a justiça social. O segundo enfoca no processo de implementação da AA alinhado ao conceito de ensinar para transgredir e em como a partir da co-construção das aulas foi possível combater as violências e exclusões vividas no cotidiano das aulas. O terceiro se debruça sobre os desafios em considerar a voz dos/as estudantes na AA. A partir dos estudos sobre a voz do/a estudante, justiça social articulando-os aos pressupostos freirianos, buscamos compreender como ouvir tornou-se condição para sustentar processos participativos e críticos nas aulas.

Acessar