Entre a cultura local e o algoritmo global: resistências docentes à Inteligência Artificial na Educação Física escolar de Pernambuco
Por Alexandre Cipriano da Silva (Autor), Marcelo Sabbatini (Autor).
Em 49º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação - Intercom
Resumo
A chegada da Inteligência Artificial à escola pública não ocorre de modo uniforme: professores que atuam distantes dos centros de produção tecnológica, e de modo ainda mais acentuado no interior de Pernambuco, vivenciam processos próprios de recepção e assimilação dessas ferramentas. Na Educação Física, disciplina ancorada na corporeidade, nas culturas do movimento e nas condições concretas da quadra, esse descompasso se torna especialmente visível. Propõe-se uma reflexão exploratória, de base empírica, sobre as percepções de professores de Educação Física da rede pública acerca das inadequações das ferramentas de IA para seus contextos de atuação e sobre as respostas que constroem diante delas. A partir de entrevistas semiestruturadas examinadas por meio da Análise de Conteúdo, observam-se descompassos entre as sugestões dos sistemas e a infraestrutura das escolas, ausência de formação específica, receios ligados às restrições ao uso de celulares e, sobretudo, estratégias docentes de seleção, reformulação e recusa. Essas práticas são lidas como processos de mediação e apropriação tecnológica por sujeitos situados à margem dos circuitos hegemônicos de produção da tecnologia, nos quais a autonomia docente opera como filtro cultural entre a ferramenta globalizada e a realidade local.