Esporte como universalidade normativa: hierarquias raciais e regimes de reconhecimento das práticas corporais nas políticas públicas brasileiras
Por Camila Penna de Castro (Autor), Cristiano Neves da Rosa (Autor).
Resumo
Este artigo analisa a constituição histórica e contemporânea das políticas públicas de Esporte e lazer no Brasil, com ênfase na identificação de uma hierarquia de reconhecimento entre diferentes práticas corporais. A partir da reconstrução de marcos legais e institucionais e da análise de programas federais, especialmente após a criação do Ministério do Esporte em 2003, argumenta-se que, embora os documentos mobilizem discursos de democratização, inclusão e pluralidade, o Esporte moderno ocupa posição normativa e privilegiada na estrutura das políticas públicas. Em contraste, práticas corporais de matrizes africanas, afro-brasileiras e indígenas permanecem frequentemente invisibilizadas ou reconhecidas de forma marginal no desenho das políticas analisadas. O estudo propõe a categoria “Hierarquia Racial das Práticas Corporais” para interpretar a produção estatal de desigualdades simbólicas e materiais no campo do Esporte e do lazer, evidenciando que a universalização do Esporte opera como mecanismo de hierarquização que organiza diferentes formas de reconhecimento institucional no contexto brasileiro
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