Resumo

O circo, enquanto manifestação da cultura corporal, está presente no contexto brasileiro desde meados do século XIX, mantendo um importante e, por vezes, mal compreendido, diálogo com a Educação Física. As distintas expressões da linguagem circense ocupam espaços variados, como teatros, praças, escolas e, certamente, terrenos onde a sua forma mais emblemática -o circo de lona -é instalada. Neste contexto, múltiplos eventos (festivais, mostras, convenções, encontros semanais) se consolidaram, permitindo que artistas, entusiastas e a população em geral, ampliem o seu contato com o circo e com sua ampla variedade de saberes. Essas ações incluem oficinas, espetáculos e práticas livres, por exemplo, potencializando a troca de experiências e, por conseguinte, a formação e difusão cultural. Após décadas de desenvolvimento destes eventos, parece relevante desvelar as características e a contribuição destes para o circo e, também, para a educação física. Assim, o presente trabalho trata-se de uma pesquisa qualitativa que combina análise documental e relato de experiência. O objetivo é analisar as três últimas Convenções Brasileiras de Malabarismo e Circo à luz de noções do campo do lazer e do direito de acesso à cultura, destacando elementos que reforçam o importante papel como espaço de fruição da cultura e do lazer, bem como de fomento ao encontro. Para tal, realizamos análise temática de materiais produzidos nas referidas convenções (programas, materiais de divulgação, postagens em redes sociais, dentre outros). Os achados demonstram que as programações destes eventos englobam treinos livres, espetáculos abertos à população da cidade sede, rodas de conversa, dentre outras atividades que valorizam o coletivo e a socialização. Isso indica que as convenções não são apenas encontros de entusiastas de uma prática específica, mas também se configuram como potentes espaços de fruição de lazer e cultura corporal, além de favorecer o senso de comunidade e pertencimento.

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