Resumo

A formação inicial de professores no Brasil é atravessada por disputas teóricas, políticas e pedagógicas que refletem as contradições estruturais do sistema educacional brasileiro. Tais disputas se intensificaram com a emergência de políticas públicas voltadas para a valorização da docência, como o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID), implementado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) em 2007. O Pibid foi criado com o intuito de promover uma aproximação entre universidade e as redes da educação básica, articulando teoria e prática a partir da inserção dos licenciandos nos espaços escolares sob orientação de professores supervisores e docentes das Instituições de Ensino Superior (IES). Embora a literatura aponte para avanços importantes proporcionados pelo programa, como o fortalecimento da identidade docente, o desenvolvimento da prática reflexiva e a ressignificação da escola pública como espaço formativo, é necessário problematizar os fundamentos teóricos que orientam tais experiências. Um dos aspectos centrais desse debate reside na identificação das bases epistemológicas que sustentam a formação inicial no âmbito do Pibid: se estas se ancoram majoritariamente na epistemologia da prática, que valoriza os saberes experienciais dos professores (TARDIF, 2002), ou na epistemologia da práxis, orientada por uma perspectiva crítica, histórico-dialética e emancipadora (SILVA, 2018; DUARTE, 2010).

Acessar