Resumo

Este estudo relaciona a semiótica peirceana com as estratégias didático-pedagógicas de um professor-pesquisador no Ensino Médio federal e seus efeitos na perspectiva dos estudantes, estabelecendo fundamentos para uma proposição semiótico-pragmaticista. Grupos focais foram empreendidos com 46 estudantes (17 a 19 anos) para investigar suas relações com a Educação Física escolar. Os resultados indicam que, para promover a inclusão e a semiose, é preciso superar a abordagem esportivista tradicional, que privilegia poucos alunos e reforça discriminações. A aprendizagem e a mobilização discente são favorecidas pela diversificação, alternância e novidade das Situações de Movimento. Além disso, destaca-se a importância de uma disciplina admiravelmente bela, que integre organicamente o corpo-movimento aos discursos sobre o corpo via hibridização de linguagens. Conclui-se que as demandas estudantis colocadas refletem, implicitamente, desejos de engajamento, pertencimento, inclusão e expansão dos processos de significação (semiose).

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