Resumo

O trabalho aqui apresentado é fruto de pesquisa em andamento do curso de doutorado, realizado no Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal do Ceará (UFC). Seu foco é historicizar os embates trabalhistas entre jogadores e clubes de futebol da cidade do Recife, travados a partir das Juntas de Conciliação e Julgamento (JCJ) do Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região (TRT6). Assim, partindo dos alicerces teóricos e metodológicos da história social do trabalho, buscamos analisar reivindicações, junto à Justiça do Trabalho (JT), realizadas por jogadores contra clubes de futebol da capital pernambucana, no período que se estende de 1964 até 1975. Dessa forma, encaramos os atletas como trabalhadores e, consequentemente, pertencentes a uma classe social, os enxergando como uma categoria profissional dotada de direitos, mas implicados em uma gama de especificidades características da sua profissão, especialmente, a questão que envolve o passe. Nesse sentido, fixamos nosso olhar para as reclamações trabalhistas, onde visualizamos demandas comuns ao mundo do trabalho, tais como: salários atrasados, férias e décimo terceiro. Contudo, as reivindicações dos jogadores avançam nas particularidades de sua profissão, ou seja, pleiteiam-se também pagamentos de gratificações por resultados positivos em partidas específicas, o famoso “bicho”, bem como o passe livre. Ao mesmo tempo em que realizamos a análise dos conflitos na esfera jurídica do trabalho, destacamos as contradições existentes entre a instituição do passe e a legislação trabalhista nacional. Afim de promover essa empreitada historiográfica, nos debruçamos sobre os processos trabalhistas arquivados no Laboratório de História e Memória (LAHM), localizado na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), assim como na discussão, promovida nas páginas da Revista Placar, acerca do passe livre. O entrelaçamento destas fontes proporciona uma visão ampliada das relações cotidianas de trabalho no mundo futebolístico, notadamente quando analisamos os conflitos judiciais vivenciados por atletas profissionais e clubes de futebol da cidade do Recife.

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