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Um amigo costuma lamentar de que ‘só morre gente do nosso lado ?'. Desta vez – infelizmente – foi VICHÉ, Vicente Calderoni Filho. Professor de Educação Física, técnico de Handebol premiadíssimo. Falecimento se deu em decorrência de cirurgia cardíaca, não resistindo. De a muito vinha tendo problemas de saúde.
Referência incontestável, Viché construiu uma trajetória que se confunde com a própria história do handebol maranhense. Como atleta, integrou equipes que marcaram época na década de 1970, participando de conquistas e ajudando a projetar o Maranhão no cenário nacional da modalidade. 
Mas foi como treinador que consolidou seu nome entre os grandes do esporte. Com visão, disciplina e paixão, conduziu equipes a resultados expressivos — entre eles o título do Campeonato Brasileiro Juvenil de 1979, uma das maiores conquistas do handebol do estado, sob seu comando técnico. 
Professor por vocação, Viché fez da quadra sua sala de aula. Ao longo de décadas, dedicou-se à formação de jovens atletas e profissionais, sendo reconhecido na universidade e no meio esportivo como um educador comprometido com valores que iam além do jogo, como respeito, coletividade e perseverança. 
Mesmo após o auge competitivo, nunca se afastou do esporte. Continuou atuando como incentivador e orientador, participando de projetos e atividades que mantinham o handebol vivo e acessível no Maranhão, sempre reunindo praticantes e entusiastas da modalidade. 
Repercussão e homenagens
Em nota, entidades ligadas ao esporte destacaram a importância de Viché para o desenvolvimento do handebol no estado. Em manifestação institucional, dirigentes ressaltaram que ele “foi um dos pilares da modalidade no Maranhão, responsável por formar gerações e elevar o nome do estado no cenário nacional”.
Colegas de profissão e ex-atletas também se pronunciaram, lembrando o lado humano do professor.
“Ele não ensinava só a jogar. Ele ensinava a viver, a respeitar o próximo e a lutar pelos nossos objetivos”, disse um ex-aluno, em homenagem.
Outro companheiro de quadra destacou: “Viché era apaixonado pelo que fazia. Onde tinha uma bola e uma quadra, ele estava incentivando, orientando, formando. O handebol do Maranhão deve muito a ele.”
A expectativa é de que a despedida reúna representantes do esporte, ex-atletas, alunos e admiradores que reconheceram em Viché mais que um técnico — um verdadeiro mestre.
Legado eterno
Viché parte, mas permanece vivo na história do esporte maranhense. Seu legado é feito de títulos, conquistas e vitórias, mas, sobretudo, de pessoas que ele ajudou a formar ao longo da vida.
Nas quadras que ajudou a construir e nas mãos de cada jovem atleta que aprendeu a amar o handebol, sua presença seguirá permanente.
O Maranhão se despede de um campeão — não apenas de medalhas, mas de vidas transformadas.
Leonardo Delgado, atleta, técnico de handebol e ex-aluno de Viché escreveu: : 
Vicente Calderoni Filho, carinhosamente conhecido no meio esportivo como Vitché (ou Viché), é uma das figuras mais emblemáticas, respeitadas e pioneiras da história do handebol maranhense. Sua trajetória confunde-se com a própria consolidação e "era de ouro" da modalidade no Estado, atuando como atleta, técnico multicampeão e professor formador.
Abaixo, destacam-se os principais pontos que explicam a sua enorme importância para o esporte no Maranhão:
1. Pioneirismo na Implantação do Esporte
Vitché fez parte do grupo de professores e técnicos pioneiros que, na década de 1970, estruturaram o handebol no Maranhão. Sob a liderança do icônico gestor Cláudio Vaz (o "Clodô"), ele se integrou ao movimento que transformou o Estado em uma potência nacional da modalidade, trabalhando lado a lado com outros grandes nomes como o Dr. Laércio Elias Pereira e José Maranhão Penha.
2. Atleta da Geração de Ouro
Antes de consolidar sua carreira na área técnica, Vitché esteve em quadra. Ele integrou, como jogador, a histórica Seleção Maranhense que disputou as primeiras competições nacionais da modalidade na década de 1970, ajudando a colocar o Maranhão no mapa do handebol brasileiro.
3. Técnico do Título Brasileiro de 1979
Como treinador, Vitché cravou definitivamente o seu nome na história do esporte maranhense. Em 1979, durante o II Campeonato Brasileiro Juvenil Masculino de Handebol, realizado em São Luís, ele foi o técnico em chefe que comandou a Seleção Maranhense na conquista do título de Campeã Brasileira. Essa conquista coroou o excelente trabalho de base feito nas escolas da capital e confirmou a força do handebol do estado perante o país.
4. Formador de Atletas e Cidadãos nas Escolas
Sua atuação nos ginásios escolares foi fundamental para a massificação do esporte. Vitché marcou época como professor e técnico em instituições tradicionais de São Luís, com destaque para o Colégio Batista Daniel de La Touche e o Colégio Alberto Pinheiro. Através do esporte escolar, descobriu talentos e ajudou a moldar gerações de jovens atletas através da disciplina e dos valores do handebol.
5. Contribuição Acadêmica na UFMA
Além de sua atuação direta nas quadras e ligas, ele levou sua experiência prática para o ambiente acadêmico. Formado em Educação Física pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), tornou-se professor do departamento da instituição, lecionando no curso de Licenciatura e participando ativamente da gestão acadêmica (chegando a integrar o Conselho Universitário). Ele ajudou a formar centenas de novos profissionais de Educação Física que hoje dão continuidade ao ensino do esporte no estado.
Vitché é o exemplo clássico do profissional que dominou o handebol em todas as suas vertentes: sentiu a vibração do jogo como atleta, teve a visão estratégica e a liderança como técnico campeão nacional, e eternizou seu conhecimento como professor universitário.
Para conhecer mais detalhes sobre as vivências, os bastidores desse período vitorioso e a trajetória de vida do professor Vitché, vale a pena conferir o episódio do podcast Conexão Diálogo, no qual ele e sua esposa relembram suas marcantes carreiras no cenário maranhense.
Vicente Calderoni Filho, conhecido como "Vitché" ou "Viché", é uma das figuras mais importantes da história do handebol maranhense, sendo reconhecido como atleta, treinador, formador de talentos e um dos principais responsáveis pela consolidação da modalidade no Maranhão durante as décadas de 1970 e 1980.

Sua importância para o handebol maranhense
1. Integrante da "Missão do Handebol" no Maranhão
Em 1974, o professor Laércio Elias Pereira retornou ao Maranhão com o objetivo de estruturar e desenvolver o handebol no estado. Nesse contexto, Vitché foi trazido para integrar esse projeto pioneiro, que ficou conhecido como "Missão do Handebol", contribuindo decisivamente para a profissionalização e expansão da modalidade.
2. Atleta da geração que colocou o Maranhão no cenário nacional
Vitché foi atleta da seleção maranhense que conquistou resultados históricos para o esporte estadual:
3º lugar no Campeonato Brasileiro Adulto Masculino de 1974, realizado em Fortaleza;
Campeão Brasileiro Adulto Masculino em 1976, no II Campeonato Brasileiro de Handebol, disputado no Rio de Janeiro, considerado um dos maiores feitos do esporte maranhense.
Seu nome aparece entre os principais jogadores daquela equipe histórica, ao lado de atletas como Álvaro Perdigão, Rubinho, Tião, Joel Gomes Costa e Mangueirão.
3. Formador e treinador de novas gerações
Após sua trajetória como atleta, Vitché destacou-se como treinador. Em 1979, comandou a seleção maranhense juvenil masculina que conquistou o título do II Campeonato Brasileiro Juvenil de Handebol, realizado em São Luís.
Além disso, atuou no desenvolvimento do handebol escolar, treinando equipes como a do Colégio Batista, contribuindo para a formação de diversos atletas e professores que posteriormente fortaleceram a modalidade no estado.
4. Educador e pesquisador
Vitché também teve atuação acadêmica e educacional. Registros apontam sua participação em estudos e pesquisas sobre a história da Educação Física e do esporte maranhense, sendo citado por pesquisadores como uma referência importante na preservação da memória esportiva do estado.
5. Guardião da memória do handebol maranhense
Mesmo após encerrar sua carreira competitiva, continuou ligado ao esporte. Em 2014, participou da fundação da Companhia do Handebol, grupo formado por ex-atletas que buscava manter viva a história e a tradição do handebol no Maranhão. Ao lado de nomes como Phil Camarão, Álvaro Perdigão Neto e China, ajudou a preservar a identidade e as conquistas da modalidade.
Legado
Vicente Calderoni Filho (Vitché) representa uma geração que transformou o Maranhão em uma potência nacional do handebol. Seu legado pode ser sintetizado em quatro dimensões:
Atleta campeão brasileiro;
Treinador campeão brasileiro juvenil;
Formador de atletas e professores;
Preservador da memória histórica do handebol maranhense.
Sua trajetória confunde-se com a própria história da consolidação do handebol no Maranhão. Sem a atuação de Vitché, juntamente com outros pioneiros como Laércio Elias Pereira, Phil Camarão, Biguá e José Maranhão Penha, dificilmente o estado teria alcançado o protagonismo nacional que marcou a chamada "Era de Ouro do Handebol Maranhense" nas décadas de 1970 e 1980.
Síntese biográfica
Vicente Calderoni Filho (Vitché) foi um dos pioneiros do handebol maranhense, destacando-se como atleta da seleção campeã brasileira de 1976, treinador da equipe campeã brasileira juvenil de 1979, professor e formador de gerações de atletas. Sua contribuição foi fundamental para a implantação, desenvolvimento e consolidação do handebol no Maranhão, sendo reconhecido como uma das maiores referências históricas da modalidade no estado.