Misoginia e empobrecimento cultural: os efeitos educativos da violência simbólica contra as mulheres na mídia esportiva
Por Ruth Cabeza-Ruiz (Autor), Helena Altmann (Autor), Irene Moya-Mata (Autor), Paula Bianchi (Autor).
Resumo
Os meios de comunicação não apenas informam, mas também educam, moldando imaginários sociais que influenciam a construção de identidades, aspirações e referências, especialmente durante a infância e a adolescência. No entanto, apesar do aumento da participação das mulheres nas atividades esportivas em todos os níveis, as atletas continuam sendo sub-representadas na imprensa esportiva, especialmente na mídia impressa. O presente artigo analisa a representação do esporte feminino em dois jornais esportivos espanhóis (Marca e Diario AS) durante o primeiro trimestre de 2025, com o objetivo de identificar formas de exclusão e violência simbólica associadas ao tratamento midiático das atletas. Por meio de uma abordagem de métodos mistos, foram analisadas 60 capas e 415 manchetes. O esporte feminino apareceu em apenas 37% do material analisado, e as manchetes especificamente relacionadas às atletas representaram apenas 7%. Além da baixa visibilidade, as narrativas textuais e visuais reforçam estereótipos de gênero e formas de violência simbólica. O estudo destaca a necessidade de incorporar a alfabetização midiática com perspectiva feminista na formação docente em todos os níveis de ensino e na Educação Física escolar, a fim de desenvolver uma consciência crítica sobre esses discursos e promover uma cultura esportiva mais equitativa.