Resumo

O presente trabalho aborda os significados atribuídos aos vínculos estabelecidos entre as jogadoras de futebol e as instituições (federações e clubes) esportivas, os dirigentes e os treinadores no período de 1983 e 2023. Tais significados demonstram ser pertinentes para analisar de que forma se estabelecem as relações de gênero no futebol brasileiro. A pesquisa se insere no campo da História Social e dos Estudos de Gênero. Em termos metodológicos, utilizou-se a História Oral Temática e foram entrevistadas oito atletas brasileiras no recorte temporal estabelecido para a pesquisa. O marco inicial é 1983 devido à regulamentação do futebol de mulheres no Brasil publicada na Deliberação n.º 01/1983 e o último ano é 2023, pois duas das entrevistadas ainda atuavam profissionalmente até então. Todas tiveram o futebol como trabalho em algum momento de suas trajetórias e buscaram construir uma carreira no campo esportivo, por isso, a relação com instituições, dirigentes e treinadores era cotidiana e fundamental. Com relação aos resultados encontrados, poucas jogadoras apresentaram uma visão positiva acerca das instituições, no geral, estas foram bastante criticadas. Como as instituições não são entidades com vida própria, mas construídas e gerenciadas por pessoas, e os gestores possuem atuação de destaque, a percepção das jogadoras sobre os dirigentes é bem parecida, ou seja, são muito críticas a eles. Sobre os treinadores, as jogadoras foram mais elogiosas e muitas destacaram o papel importante que tiveram em suas trajetórias, porém, não estão imunes a críticas.

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