Resumo

Este artigo busca compreender como a experiência corporal vivida em uma expedição ao Monte Roraima pode constituir-se como campo de produção de saberes sensíveis e conhecimentos reflexivos na Educação Física. Parte-se da crítica a modelos pedagógicos marcados pela aceleração, fragmentação do corpo e centralidade do conteúdo, propondo a experiência na natureza como possibilidade formativa que integra corpo, tempo, sensibilidade e reflexão. Metodologicamente, o estudo se ancora em uma autocartografia escrevivente, construída a partir de registros da travessia — diários de campo, imagens, sons e narrativas — articulados ao diálogo com autores da educação e da experiência. A análise organiza-se em quatro trilhas de sentido: o corpo como bússola, o tempo do encantamento, o olhar descolonizado e o saber da experiência feita. Os resultados indicam que a experiência corporal em ambientes naturais produz deslocamentos nos modos de perceber, sentir e aprender, constituindo aprendizagens que se inscrevem no corpo como memória, cuidado e responsabilidade.

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