Resumo

As mudanças editoriais ocorridas nos jornais soteropolitanos na década de 1930 trouxeram uma nova forma de reportar as notícias do cotidiano, refletidas também na seção de esportes dos periódicos, que ampliaram a cobertura jornalística principalmente para o futebol. Relatos detalhados da partida, notas sobre as equipes, falas replicadas dos dirigentes e jogadores passaram a fazer parte do cotidiano do leitor, construindo hábitos e vínculos com os clubes da cidade. Mas, e os torcedores? Aqueles sujeitos que frequentavam as praças esportivas da capital baiana para assistir uma partida de futebol, nas duas primeiras décadas do século XX foram inicialmente alcunhados como ‘adeptos’, se tornaram ‘torcedores’ a partir dos anos vinte, aprofundando essa relação na década subsequente resultado do processo de popularização que o esporte atravessava nesses primeiros momentos no Brasil. Mas, como eram descritos pelos jornais? A imprensa escrita e periódica vai ser o veículo de exposição dessa transformação no público futebolístico no Campo da Graça, aprofundando o relato da atuação desses torcedores, mas também tecendo seu ponto de vista e olhar a partir de cima para baixo, ou seja, da elite que sustentava e mantinha os jornais para as classes populares que ampliavam sua participação e transformação no esporte bretão, trazido ao Brasil pelas classes abastadas. Esse olhar, muitas vezes era julgador, classista, carregado de preconceitos, fruto da estrutura socioeconômica que o país vivia naquelas primeiras décadas do século vinte, pós-abolição da escravidão. O objetivo dessa comunicação é estabelecer uma análise do discurso da imprensa esportiva escrita soteropolitana na década de 1930 sob a forma como descreviam esse momento de popularização do público nas gerais (setor sem cobertura e que geralmente assistia a partida de pé) do Campo da Graça e construíam um pensamento crítico sob os rumos que o futebol ia tomando naquele período, de marginalização dos torcedores (a elite foi se afastando da praça esportiva ou quando ia preferia ocupar as arquibancadas cobertas) e cobrando um posicionamento mais rígido do poder público, em especial da segurança pública através da polícia.

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