Resumo

Modelos avaliativos dicotômicos, baseados em categorias como "executa/não executa", podem limitar a compreensão da complexidade da aprendizagem aquática, desconsiderando pequenos progressos e trajetórias intermediárias, o que pode se tornar ainda mais relevante em contextos inclusivos, nos quais crianças com transtornos do neurodesenvolvimento apresentam percursos singulares de aprendizagem. Os objetivos foram propor o uso de uma escala likert de quatro níveis em um modelo de avaliação dicotômico para duas fases do nadar (iniciação e adaptação); analisar e comparar os efeitos da aplicação deste modelo em 50 habilidades natatórias. Participaram do experimento 30 crianças dos níveis Adaptação (n=14) e Iniciação (n=16), incluindo crianças com o desenvolvimento típico e atípico. As avaliações foram aplicadas utilizando tanto o modelo tradicional - dicotômico quanto o modelo ampliado – escala likert. Após a confirmação da normalidade dos dados optou-se pelo teste t para amostras pareadas na comparação entre os modelos de pontuação e o teste de amostras independentes para comparação entre os desempenhos das crianças típicas e atípicas. O modelo ampliado registrou médias mais altas estatisticamente significativas e descritivamente menor variabilidade nos desempenhos, evidenciando maior sensibilidade para captar progressões intermediárias. No nível Adaptação, a média aumentou cerca de 18% em relação ao modelo tradicional, enquanto no nível Iniciação houve incremento de aproximadamente 6%. O modelo ampliado de avaliação pedagógica parece contribuir para práticas mais justas, formativas e inclusivas na natação infantil, fortalecendo o papel da avaliação como mediadora da aprendizagem e como ferramenta de comunicação entre professores, alunos e famílias.

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