Resumo

Esta tese discute o esporte desenvolvido no contexto escolar a partir de uma perspectiva formativa, buscando afastar-se das leituras que o reduzem à performance, à especialização precoce ou à lógica de competir a qualquer custo. O ponto de partida é compreender o esporte como uma prática que produz experiências significativas, relações, sentidos de pertencimento e modos de aprender que atravessam a formação humana. Para construir esse olhar, o trabalho retoma o papel dos Parques Infantis de São Paulo como marco das primeiras práticas extracurriculares no estado, destacando sua compreensão ampliada do brincar, do lazer e do movimento. Em seguida, delimita-se a escolha conceitual pelas práticas esportivas escolares, dialogando com autores que discutem as distinções entre esporte da escola/esporte na escola e esporte educacional/esporte escolar, situando o esporte como possibilidade dentro e fora do currículo formal. Metodologicamente, a pesquisa articula três caminhos: a etnografia realizada durante as Olimpíadas Estudantis da cidade de São Paulo, as Narrativas Biográficas produzidas a partir da escuta aberta das histórias dos colaboradores e as Cartas Coautorais, pensadas como devolutivas sensíveis que integram afeto, reflexão crítica e rigor acadêmico. Esse conjunto metodológico permitiu acompanhar experiências, registrar gestos, compreender trajetórias e dialogar diretamente com os sujeitos envolvidos. Os resultados apontam que o esporte na escola produz impactos que ultrapassam a técnica: promove vínculos, amplia horizontes, gera identificação e mobiliza dimensões emocionais, sociais e éticas do desenvolvimento. As experiencias observadas enarradas revelam encantamentos, desafios e aprendizagens que só se tornam possíveis quando o esporte é vivido em sua potência educativa. Conclui-se que valorizar o esporte no contexto escolar é reconhecer sua capacidade formar sujeitos, fortalecer coletivos e criar oportunidades de participação significativa reafirmando seu lugar como parte essencial da educação.

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