Quintais do brincar: vivência de professores e professoras sobre brincadeiras de mãos cantadas em escolas do campo
Por Tiago Ferraz Thomé (Autor), Daniela Bento Soares (Autor).
Em Seminário de Formação esporte e teoria histórico culrural
Resumo
Babalu, baba pé, baba mão, baba testa e baba o chão... As brincadeiras de mãos cantadas atravessam o tempo e permanecem vivas nas memórias de professores e professoras em seus quintais brincantes. Elas integram tanto a infância vivida quanto a infância observada e mediada pelos/as docentes. Com base na Teoria Histórico-Cultural de Vigotski, essa pesquisa em desenvolvimento propõe-se discutir o conceito de vivência, (perejivânie), como eixo central de análise, partindo da compreensão de que as experiências adquirem sentido a partir das condições históricas e sociais em que os/as sujeitos/as estão inseridos/as. Em diálogo com Paulo Freire e Gramsci, valoriza-se o brincar como leitura de mundo e, se reconhece o/a professor/a como intelectual orgânico/a, produtor/a de cultura e formador/a em seus territórios. Objetivo: Compreender os modos de brincar de mãos cantadas a partir das vivências de professores/as que atuam em escolas do campo, considerando as experiências infantis observadas e dialogadas em seus territórios. Metodologia: Propõe-se desenvolver a pesquisa por uma abordagem etnográfica de natureza narrativa, utilizando questionários e entrevistas narrativas como instrumentos para construir e problematizar os sentidos e significados atribuídos ao brincar. Resultados: Espera-se que as análises revelem como as vivências docentes, atravessadas por memórias de infância e contextos socioculturais, permitem compreender as brincadeiras de mãos cantadas como práticas de (re)existência, ressignificam a cultura popular e fortalecem processos educativos críticos. Conclusão: As contribuições dessa proposta de pesquisa estão em reconhecer o brincar como espaço de diálogo e produção de sentidos, reafirmando a centralidade da infância na formação humana. As vivências docentes configuram-se como mediações culturais que também formam os/as professores/as, fortalecendo sua atuação enquanto intelectuais orgânicos/as. Ao valorizar memórias, reflexões e práticas docentes, o estudo ressalta sua importância na preservação da memória coletiva, no estímulo à criticidade e na inspiração de práticas educativas comprometidas com a valorização das vivências dos/as sujeitos/as do campo.