Relações de gênero em jogos de queimada: diferenças de oportunidades e aprendizagens

Por Juliana Fagundes Jacó (Autor), Liane A. Roveran Uchoga (Autor),

Parte de Produção de Conhecimento na Educação Física: Pesquisas e Parcerias . páginas 139 - 152

Resumo

A Educação Física escolar no Brasil é marcada por um longo período em que o esporte era o conteúdo hegemônico nas aulas (Soares, 1996; Bracht, 1999; Darido, 2007), as quais tinham o objetivo de melhorar a técnica e o rendimento do corpo, baseadas em pressupostos do esporte de alto rendimento. Tal concepção – ainda presente em algumas instituições de ensino – justificava aulas separadas por sexo, com práticas adequadas ao corpo biológico e, consequentemente, distintas para meninos e meninas. De acordo com Dornelles e Fraga (2009), a separação de meninos e meninas nestas aulas tem se configurado de diferentes formas desde a inserção e institucionalização das práticas corporais no âmbito escolar brasileiro. Se em outros períodos históricos ela se sustentou em legislações específicas, que determinavam a separação, atualmente ela pode se concretizar a partir de estratégias pedagógicas escolares ou docentes. Se até a década de 50 do século 20 a Educação Física priorizava as ginásticas e, em seguida, até os anos 80, o esporte (Sousa, 1994), é a partir dos questionamentos das Ciências Humanas que novamente outros conteúdos passam a ser trabalhados nas aulas de Educação Física. Além da ginástica e do esporte, a dança, as lutas, o jogo e a capoeira passam a ser considerados conteúdos da Educação Física. Em outras palavras, são concebidos como elementos da cultura corporal de movimento a serem tematizados nas aulas desse componente (Bracht, 1992; Soares et al., 1992).

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