Resumo

A termorregulação é um mecanismo fisiológico essencial para a manutenção da temperatura corporal dentro de limites estreitos, mesmo diante de variações ambientais. Durante o exercício físico, especialmente em corridas de longa duração, a produção de calor metabólico aumenta significativamente devido ao trabalho muscular intenso. Compreender como esses processos termorregulatórios atuam durante o esforço prolongado é fundamental para garantir a segurança dos atletas, otimizar o desempenho esportivo e prevenir complicações associadas ao estresse térmico. OBJETIVO: Analisar as respostas fisiológicas, metabólicas e perceptuais durante e após uma corrida contínua de 6 horas, com ênfase na termorregulação e foco específico na dinâmica da temperatura da pele ao longo do esforço prolongado. METODOLOGIA: A tese foi estruturada em formato de dois artigos. Artigo 1: Correlação entre a distância percorrida, temperatura corporal e esforço percebido durante uma corrida de longa duração. Objetivos: (1) avaliar longitudinalmente a dinâmica da temperatura da pele do corpo e da coxa e (2) avaliar suas correlações temporais com a distância percorrida e a percepção do esforço antes e após 2h, 4h e 6h de corrida. Artigo 2: Análise das respostas cardiovasculares, metabólicas e perceptuais antes, durante e após uma corrida de longa duração. Objetivo: analisar as respostas cardiovasculares, metabólicas e perceptuais em corredores masculinos treinados antes, durante e depois de uma corrida contínua de seis horas. Trinta e nove soldados de elite do sexo masculino (idade: 31,4 ± 5,7 anos) participaram de uma corrida contínua de 6 horas realizada em uma pista de 400 metros. Os participantes foram categorizados retrospectivamente em três grupos, de acordo com a distância total percorrida: submaratonistas (<40 km), maratonistas (40–44 km) e ultramaratonistas (>44 km). As variáveis avaliadas incluíram indicadores fisiológicos (temperatura da pele, frequência cardíaca, pressão arterial e massa corporal), marcadores metabólicos (análise urinária) e respostas perceptuais (dor, sede, sensação térmica, umidade da pele, conforto térmico e percepção de esforço). As coletas de dados foram realizadas em oito momentos distintos: 24 horas e 1 hora antes da corrida (PRE24h e PRE1h), durante o esforço (2h e 4h), e após o término da prova (6h, POST1h, POST24h e POST48h). RESULTADOS: Artigo 1: Todos os grupos apresentaram aumento da temperatura no POST6h em comparação ao PRE [1,9 (0,1; 3,7) °C; p=0,037] e no POST2h [2,3 (0,7; 4,0) °C; p=0,002]. Para a região anterior da coxa, houve diferença significativa entre o PRE e o POST2h em comparação ao POST4h e o POST6h (p≤0,001 para todas as comparações). A distância total apresentou correlação positiva com a temperatura da coxa direita e esquerda no POST6h (p≤0,036 para todas as comparações) e a percepção do esforço no POST4h e no POST6h (p≤0,008 para todas as comparações). A temperatura corporal (Body Surface Temperature - BST) no POST4h apresentou correlação inversa com a distância total (p≤0,001). Artigo 2: Ultramaratonistas apresentaram maiores reduções na massa corporal, respostas mais elevadas da frequência cardíaca e aumento do desconforto em múltiplas respostas perceptuais. Diversas variáveis permaneceram significativamente alteradas mesmo 48 horas após o exercício, particularmente no grupo da ultramaratona. A análise de medidas repetidas revelou efeitos temporais significativos (p < 0,001) para a maioria das variáveis e efeitos de interação indicando diferenças no nível de desempenho nos perfis de recuperação. CONCLUSÕES: A percepção de esforço (RPE) no POST4h e no pós-corrida, bem como a temperatura da coxa no POST4h, emergiram como preditores significativos da distância percorrida. O monitoramento dessas variáveis pode auxiliar atletas e treinadores na definição de estratégias de ritmo mais eficazes e na elaboração de protocolos de hidratação que evitem elevações excessivas da temperatura corporal. Distâncias maiores foram associadas a um esforço fisiológico e perceptual mais intenso e prolongado, reforçando a importância de estratégias de recuperação individualizadas após esforços de ultra endurance. A integração de marcadores cardiovasculares, metabólicos e perceptuais fornece uma visão abrangente sobre possíveis mecanismos de fadiga e recuperação, com implicações práticas relevantes para o treinamento de endurance e a gestão do desempenho esportivo.

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