Resumo

Os debates sobre a inclusão de torcedores com deficiências nos estádios brasileiros são recentes, consolidando-se com a lei nº 12.663/2012, conhecida popularmente com Lei Geral da Copa, que tornou obrigatório a adaptação de 1% dos lugares nos estádios construídos ou reformados para a Copa do Mundo FIFA de 2014, para as pessoas que utilizam cadeira de rodas ou com mobilidade reduzida. Porém, nos últimos dez anos começou a se debater a inclusão de torcedores neurodiversos, em especial, de torcedores no espectro autista (TEA), ganhando espaço nos últimos cinco anos, a partir da instalação de salas inclusivas nos estádios. O Sport Club Corinthians Paulista foi pioneiro ao inaugurar a sala inclusiva de seu estádio, e onde se fundou a primeira torcida organizada neurodiversa, a Autistas Alvinegros, em julho de 2022. Apesar do aumento de salas inclusivas nos estádios, a análise do acesso dos torcedores neurodiversos nos estádios ainda é pouco abordada. Neste sentido, a presente pesquisa, de natureza aplicada e abordagem qualitativa explicativa, organizada como estudo de caso, tem como objetivo, analisar, enumerar e comparar, o número de salas inclusivas e os formatos de compra de ingresso por torcedores neuordiversos, nos 20 estádios dos clubes que compõe a Série A do Campeonato Brasileiro de 2024. Utilizou-se as informações disponíveis nos sites dos clubes, as reportagens sobre a temática presente nos noticiários nacionais e locais, além, da análise dos perfis em redes sociais das organizações e torcidas neurodiversas dos clubes. O relatório final da análise dos 20 clubes, mostrou que apenas 9 clubes têm salas inclusivas, construídas com a adaptação de camarotes dos estádios, 10 estádios não contam com salas inclusivas e o Atlético-MG, que inaugurou a Arena MRV neste ano, será o primeiro clube a ter no projeto de construção do estádio uma sala inclusiva, sem necessidade da adaptação de espaços, com inauguração prevista para o primeiro semestre de 2025. Por outro lado, mesmo com diversos estádios sem espaços inclusivos, verificou-se que 15 clubes contam com torcidas ou associação de torcedores autistas, 2 clubes têm atividades inclusivas realizadas por torcidas organizadas e apenas 3 clubes não contam com nenhuma movimentação de torcedores neurodiversos. Destas organizações de torcedores, notou-se que todas contam com pais de criança no espectro autista na direção organizacional e apenas duas torcidas tem em suas diretorias autistas adultos, mostrando que o movimento de inclusão destes torcedores nos estádios, foi concebido pensado na inclusão de crianças e adolescentes neurodiversos. No site dos clubes, apenas 13 dispõem de informações sobre acesso e ingressos para torcedores autistas, com a necessidade de contato prévio para realização de cadastro e validação do laudo médico. Por último, nos sites dos clubes e de venda de ingressos para jogos, apenas 8 tem a informação sobre gratuidade de ingresso para neurodiversos, enquanto apenas 7 citam a gratuidade de até 2 acompanhantes, não sendo possível confirmar se todos os clubes têm respeitado a lei 13.146/2015, que torna obrigatório a gratuidade de ingressos para torcedores do Transtorno do Espectro Autista (TEA) e meia-entrada para acompanhantes. 

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