Torcedores neurodiversos nos estádios de futebol brasileiro: estudo de caso sobre o acesso dos torcedores no espectro autista nos estádios de futebol do campeonato brasileiro
Por Nicolas Duprat (Autor), Theo Rola Mota (Autor), Regina Heidrich (Autor).
Em XX Congresso de Ciências do Desporto e de Educação Física dos Países de Língua Portuguesa
Resumo
Os debates sobre a inclusão de torcedores com deficiências nos estádios brasileiros são recentes, consolidando-se com a lei nº 12.663/2012, conhecida popularmente com Lei Geral da Copa, que tornou obrigatório a adaptação de 1% dos lugares nos estádios construídos ou reformados para a Copa do Mundo FIFA de 2014, para as pessoas que utilizam cadeira de rodas ou com mobilidade reduzida. Porém, nos últimos dez anos começou a se debater a inclusão de torcedores neurodiversos, em especial, de torcedores no espectro autista (TEA), ganhando espaço nos últimos cinco anos, a partir da instalação de salas inclusivas nos estádios. O Sport Club Corinthians Paulista foi pioneiro ao inaugurar a sala inclusiva de seu estádio, e onde se fundou a primeira torcida organizada neurodiversa, a Autistas Alvinegros, em julho de 2022. Apesar do aumento de salas inclusivas nos estádios, a análise do acesso dos torcedores neurodiversos nos estádios ainda é pouco abordada. Neste sentido, a presente pesquisa, de natureza aplicada e abordagem qualitativa explicativa, organizada como estudo de caso, tem como objetivo, analisar, enumerar e comparar, o número de salas inclusivas e os formatos de compra de ingresso por torcedores neuordiversos, nos 20 estádios dos clubes que compõe a Série A do Campeonato Brasileiro de 2024. Utilizou-se as informações disponíveis nos sites dos clubes, as reportagens sobre a temática presente nos noticiários nacionais e locais, além, da análise dos perfis em redes sociais das organizações e torcidas neurodiversas dos clubes. O relatório final da análise dos 20 clubes, mostrou que apenas 9 clubes têm salas inclusivas, construídas com a adaptação de camarotes dos estádios, 10 estádios não contam com salas inclusivas e o Atlético-MG, que inaugurou a Arena MRV neste ano, será o primeiro clube a ter no projeto de construção do estádio uma sala inclusiva, sem necessidade da adaptação de espaços, com inauguração prevista para o primeiro semestre de 2025. Por outro lado, mesmo com diversos estádios sem espaços inclusivos, verificou-se que 15 clubes contam com torcidas ou associação de torcedores autistas, 2 clubes têm atividades inclusivas realizadas por torcidas organizadas e apenas 3 clubes não contam com nenhuma movimentação de torcedores neurodiversos. Destas organizações de torcedores, notou-se que todas contam com pais de criança no espectro autista na direção organizacional e apenas duas torcidas tem em suas diretorias autistas adultos, mostrando que o movimento de inclusão destes torcedores nos estádios, foi concebido pensado na inclusão de crianças e adolescentes neurodiversos. No site dos clubes, apenas 13 dispõem de informações sobre acesso e ingressos para torcedores autistas, com a necessidade de contato prévio para realização de cadastro e validação do laudo médico. Por último, nos sites dos clubes e de venda de ingressos para jogos, apenas 8 tem a informação sobre gratuidade de ingresso para neurodiversos, enquanto apenas 7 citam a gratuidade de até 2 acompanhantes, não sendo possível confirmar se todos os clubes têm respeitado a lei 13.146/2015, que torna obrigatório a gratuidade de ingressos para torcedores do Transtorno do Espectro Autista (TEA) e meia-entrada para acompanhantes.