Ver o gol ou ver a deficiência? cobertura midiática do prêmio fifa puskás 2022 e a representação do futebol para amputados
Por Ricardo Borges Viana (Autor), Vitória Raquel Pinho (Autor), Silvia Marcela de Freitas (Autor), Francisco de Oliveira Dantas (Autor), Mário Antônio de Moura Simim (Autor).
Em Revista da Associação Brasileira de Atividade Motora Adaptada - SOBAMA v. 27, n 2, 2026.
Resumo
Este estudo analisou as características da cobertura midiática do Prêmio FIFA Puskás 2022, primeira edição em que um jogador de futebol para amputados foi premiado. Analisamos o conteúdo de 33 reportagens veiculadas por órgãos de mídia esportiva convencionais e especializados do Brasil e da Polônia, além de publicações institucionais de federações esportivas (FIFA, WAFF, UEFA, EAFF, CBF e CBFA). As categorias analíticas foram definidas com base em estudos anteriores sobre representação midiática da deficiência e do paradesporto. A confiabilidade entre avaliadores foi mensurada pelo Teste Kappa não ponderado de Cohen (κ = 0,849; IC = 0,576–1,000). Os resultados indicam que a cobertura adotou enquadramentos capacitistas (18,2%), trivializantes (20,5%), sensacionalistas (19,3%) e focados na deficiência (12,5%). A FIFA e parte da mídia geral reproduziram estereótipos ligados à deficiência enquanto a WAFF e a CBF adotaram enquadramentos equilibrados, centrados no desempenho esportivo. A ausência de cobertura por parte de organizações como a UEFA e a CBFA suscita preocupações quanto à responsabilidade institucional na promoção de para-atletas. Concluimos que as narrativas midiáticas em torno do gol vencedor enfatizaram a deficiência de Marcin Oleksy em detrimento de sua trajetória esportiva. Evidenciamos nesse estudo a necessidade de mudança de paradigma nas representações midiáticas do paradesporto.
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