Resumo

Na perspectiva histórico-cultural, vivência constitui-se como um processo ativo que, dialeticamente, afeta o sujeito, envolvendo a mediação cultural e participação em práticas sociais. É uma unidade psicológica que organiza as principais manifestações psicológicas, sendo a forma pela qual o ambiente e sujeito se relacionam e se transformam mutuamente. Objetivo: O objetivo da presente pesquisa é analisar se e como as vivências institucionais impactam na construção do projeto de vida de adolescentes e na prospecção de reinserção social em reiteradas internações no sistema socioeducativo fechado. Metodologia: O estudo foi realizado num Centro da Fundação CASA, com 12 adolescentes em medida socioeducativa de internação. Fui aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisas em Seres Humanos (CEP) da UFSCar (CAAE:75483323.0.0000.5504) Os critérios de inclusão foram: ter mais de três passagens pela privação de liberdade em regime de internação; não ter previsão de desinternação e ter entre 15 e 20 anos. A pesquisa Trans-Formação, foi estruturada em três etapas: na primeira, foram realizados quatro grupos focais; na segunda, foram conduzidas sete oficinas; e, na última, realizou-se uma entrevista. A coleta de dados incluiu a observação participante, diário de campo e fanzines construídos pelos adolescentes nas oficinas. Os dados foram analisados por meio da metodologia dos núcleos de significação. Resultados: Um dos núcleos de significação construídos no processo de análise foi: Práticas corporais como espaço contraditório entre ressignificação subjetiva e controle institucional. Esse núcleo revela dum dos aspectos contraditório da socioeducação: mesmo sendo um ambiente marcado predominantemente por práticas sociais repressivas e punitivistas e controle de corpos, os adolescentes ressignificam suas práticas corporais, o que impactam positivamente na elaboração dos seus projetos de vida. Conclusão: As práticas corporais no sistema socioeducativo fechado, direcionados a adolescentes em reiteradas internações, revelam-se ambíguas, ao mesmo tempo instrumento disciplinar e oportunidade de subjetivação corporal com caráter emancipatório.

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