A construção do campo acadêmico da Educação Física brasileira: análise da Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo
Por Adriano Pires de Campos (Autor).
Parte de A Educação Física e Seus Desafios: Formação, Intervenção e Docência . páginas 54
Resumo
1. Introdução
A história acadêmica da Educação Física foi marcada por polêmicas discussões sobre a legitimidade da área como campo de conhecimento científico. Essas discussões instalaram-se tanto no contexto internacional quanto no caso de algumas universidades brasileiras, gerando um campo de debates onde se busca melhor caracterizar o papel científico da área e suas funções no mercado de trabalho. Convencionou-se chamar esse processo de “crise de identidade” da Educação Física.
Influenciados por esse movimento, estudiosos da Educação Física brasileira passaram a investigar os paradigmas que sustentavam a área na universidade, principalmente a partir da década de 1980. Importante evidência está nas contestação ao próprio termo “Educação Física”, cujo conceito mostrou-se restrito para justificar os diversos campos de pesquisa a ela vinculados nas últimas décadas. Nesse sentido, termos como Cinesiologia, Ciências da Motricidade, Ciências do Movimento Humano, dentre outros, passaram a ser utilizados em universidades brasileiras, na tentativa de melhor caracterizar as atividades acadêmicas da área. Outro importante reflexo dessa “crise” seria a crítica ao modelo de pesquisas em Educação Física, cuja produção científica estaria, supostamente, gerando conhecimentos muito mais pertinentes às chamadas “ciênciasmães” (fisiologia, psicologia, biomecânica, sociologia, etc.), em detrimento de pesquisas relacionadas ao campo profissional da área.
Referências
ALBUQUERQUE, L. M. B. Ciência, ciências. As representações na educação física. Motriz, v. 4, nº 2, 1998.
AMADIO, A. C. Laboratório de biodinâmica da Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo: passado e presente – análise da situação atual. Revista Paulista de Educação Física, v. 13. p. 48-51, 1999
ANDERSON, D. R. The humanity of movement or “it’s not just a gym class”. Quest, v. 54, p. 87-96, 2002.
BARDIN, L, Análise de conteúdo. Lisboa, Edições 70, 1979.
BARROS, J. M. C. Educação física na Unesp de Rio Claro. Motriz, nº 1, p. 81-97, 1995.
BARROS, J. M. C. Educação física: perspectivas e tendências na profissão. Motriz, nº 1, p. 49-52, 1996.
BARROS, J. M. C. Preparação profissional em EF e Esporte: propostas dos cursos de graduação. Motriz, v. 4, nº 1, 1998.
BETTI, M. Por uma teoria da prática. Motus Corporis, v. 3, nº 2, p. 73-127, 1996.
BETTI, M. A EF não é mais aquela. Motriz, v. 1, nº 1, 1995.
BOURDIEU, P. O poder simbólico. Lisboa, Difel, 1989.
BRACHT, V. Educação física/ciências do esporte: que ciência é essa? Revista Brasileira de Ciências do Esporte, v. 14, nº 1, p. 111-17, 1993.
BRESSAN, E. S. The profession is dead – was it murder or suicide? Quest, v. 31, nº1, p. 77-82, 1979.
BRESSAN, E. S. An academic discipline for physical education: what a fine mess! Proceedings National Association for Physical Education in Higher Education, v. 3, 22-27, 1982.
BROEKHOFF, J. A discipline – who needs it? Proceedings National Association for Physical Education in Higher Education, v. 3, 28-35, 1982.
BROOKS, G. A. What is the discipline of physical education? Proceedings National Association for Physical Education in Higher Education, v. 3, 5-9, 1982
BROWN, C. The structure of knowledge of physical education. Quest, nº 9, p. 53-67, 1967.
BULGER, S. M.; MOHR, D. J.; CALRSON, L.M.; ROBERT, D. L.; WIEGAND, R. L.
Preparing prospective physical educators in exercise physiology. Quest, v. 52, p. 166-185, 2000.
CANFIELD, J. T. A ciência do movimento humano como área de concentração de um programa de pós-graduação. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, v. 14 (3), p. 146-48,
CAVALCANTI, K. B. Para a unificação em ciência da motricidade humana. Monografia, Universidade Federal do R. G. do Norte, 16p. 1994.
CYRINO, E. S.; NARDO JR, N. Educação física ou cinesiologia ou cineantropologia ou ciência da motricidade humana? Revista Brasileira de Ciências do Esporte, v. 18, nº 3, 1997.
DAOLIO, J. Educação física e cultura. Corpoconsciência, nº 1, p. 11-28, 1998.
DARIDO, S. C. Teoria, prática e reflexão na formação profissional em EF. Motriz, v. 1, nº 2, 1995.
DUNN, J. M. Academic department survival: lessons learned and future implications. Quest, v. 50, p. 179-184, 1998.
ELLIS, M. J. Warning: the pendulum has swung far enough. JOPERD, v. 59 (3), 75-78, 1988.
ELLIS, M. J. Disasters on the west coast: personal observations. Quest, v. 50, p. 121-125, 1998.
FARINATTI, P. T. V. Ciência ou cientificismo? Reflexões sobre a transmissão de conhecimentos nos cursos superiores de educação física. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, ed. especial, 1998.
FREIRE, J. B. O objeto de estudo em questão. Corpoconsciência, nº 7, p. 11-20, 2001.
GAMBOA, S. S. Pesquisa em educação física: as inter-relações necessárias. Motrivivência, 1994.
GREENDORFER, S. L. Specialization, fragmentation, integration, discipline, profession: what is the real issue? Quest, v. 39, p. 56-64, 1987.
HENRY, F. M. Physical education: an academic discipline. Journal of health, physical education and recreation, v. 37, nº 7, p. 32-33, 1964.
HENRY, F. M. The academic discipline of physical education. Quest, nº 29, p. 13-29, 1978.
KOKUBUN, E. Qualidade da pesquisa da Educação Física. Anais da III Semana de Educação Física. Universidade São Judas Tadeu, Faculdade de Ciências Biológicas e da Saúde, Departamento de Ed. Física, 95-104, 1995.
KOLYNIAK FILHO, C. O objeto de estudo da educação física. Corpoconsciência, nº 5, p. 9-28, 2000.
KRETCHMAR, R. S. Building strong academic programs: the problem of performance. Quest, v. 50, p. 185-190, 1998.
KUNZ, E. Ciência e interdisciplinaridade. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, v. 17, nº 2, 1996.
KUNZ, E. Limitações no fazer ciência em EF e Esportes. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, v. 3, 1998.
LAWSON, H. A. Specialization and fragmentation among faculty as endemic features of academic life. Quest, v. 43, p. 280-295, 1991
LAWSON, H. A. Here today, gone tomorrow? A framework for analyzing the development, transformation and disappearance of helping fields. Quest, v. 50, p. 225-37, 1998.
LIMA, J. R. P. Caracterização acadêmica e profissional da Educação Física. Revista Paulista de Educação Física, v. 8, p. 54-67, 1994.
MANOEL, E. J. Movimento humano: considerações acerca do objeto de estudo da Educação Física. Boletim FIEP, 10 (1) 56, 33-39, 1986.
MANOEL, E. A dinâmica do estudo e promoção da atividade motora humana: transição de fase na EEFE-USP? Revista Paulista de Educação Física, v. 13 (1), p. 103-18, 1999.
MARIZ DE OLIVEIRA, J. G. Preparação profissional em Educação Física. Em S. C. E. Passos (org.) Educação Física e esportes na universidade. Brasília: Universidade de Brasília, pp. 225-45, 1988.
MELANI, R. O humano do movimento. Corpoconsciência, nº 3, p. 11-24, 1999.
MOREIRA, WAGNER W. O objeto de estudo em questão. Corpoconsciência, nº 8, p. 09-12, 2001
MORGAN, W. P. Restructuring departments: to merge or not to merge? Quest, v. 50, p. 134-148, 1998.
NEWELL, K. M. Kinesiology: the label for the study of physical activity in higher education. Quest, v. 42, nº 3, p. 269-78, 1990 a.
NEWELL, K. M. Physical education in higher education: chaos out of order. Quest, v. 42, nº 3, p. 227-42, 1990 b.
NEWELL, K. M. Kinesiology: further commentary on de field of study. Quest, v. 42, p. 335-342, 1990 c.
O’HANLON, J.; WANDIZALAK, T. Physical education: a professional field. Quest, v. 32, nº 1, 1980
PARK, R. A house divided. Quest, v. 50, p. 213-224, 1998.
PELLEGRINI. O objeto de estudo em questão. Corpoconsciência, nº 4, 1999.
PEREIRA, B. As limitações do método científico: implicações para a educação física. Revista Paulista de Educação Física, v. 12 (2), p. 228-48, 1998.
PESSOA FILHO, D. M. Educação física sim, por que não? Motriz, v. 1, nº 2, 1995.
PRIGOGINE, I; STENGERS, I. O mundo desencantado. In: A nova aliança. Brasília, UnB, 1984, p. 21-6.
RENSHAW, P. The nature of human movement studies and its relationships with physical
education. Quest, monograph XX, p. 19-86, 1973.
RENSON, R. From physical education to kinantropology. Quest, v. 41, nº 3, p. 235-56, 1989.
ROSE, D. A. Is there a discipline of physical education? Quest, v. 38, p. 1-21, 1986.
SANTOS, I. R. A teoria do desenvolvimento científico de Thomas S. Kuhn. In: Os fundamentos sociais da ciência. São Paulo: Polis, 1979, p. 43-70.
SERGIO, M. Motricidade humana: uma revolução científica. Motrivivência, ano 2, nº 3, 1990.
SÉRGIO, M. Educação física ou ciência da motricidade humana? 2ª ed. Campinas, Papirus, 1991.
SIEDENTOP, D. Regaining the public trust: complex social problems meet specialized academic disciplines. Quest, v. 50, p. 170-178, 1998.
SPIRDUSO, W. W. Commentary: the Newell epic: a case for academic sanity. Quest, v. 42, p. 297-304, 1990.
TANI, G. Cinesiologia, Educação Física e esporte: ordem emanente do caos na estrutura acadêmica. Motus Corporis, v. 3, p. 9-50, 1996.
TANI, G. Perspectivas da Educação Física disciplina acadêmica. Anais do II Simpósio Paulistade Educação Física. Rio Claro, Unesp, 1989.
TEIXEIRA, L. A. Estudo da motricidade humana como fonte de ordem para um tema cientifico,
uma profissão e um componente do currículo escolar. Revista Paulista de Educação Física, v.7, 77-91, 1993.
THOMAS, J. R. Are we already in pieces, or just falling apart? Quest, v. 39, p. 114-121, 1987
VEIGA NETO, A. J. Currículo, disciplina e interdisciplinaridade. Revista Brasileira de Ciência e
Movimento, v. 17, nº 2, 1996.
VERENGUER, R. C. Preparação profissional em EF: das leis à implementação dos currículos.
Tese. Unicamp, 1996.
VERENGUER, R. C. Dimensões profissionais e acadêmicas da EF no Brasil: uma síntese das
discussões. Revista Paulista de Educação Física, v. 11 (2), 1997
WILMORE, J. H. Building strong academic programs for our future. Quest, v. 50, p. 103-107, 1998.